24.9.08






















TNT [TUMULTO NO TEATRO] estreia a 27 de Setembro
no Teatro da Cerca de São Bernardo

18.9.08

TNT não estreia hoje. Vai estrear, em breve, num teatro há muito ansiado, no coração da cidade, no Teatro da Cerca.
Hoje, são assinados os protocolos que permitem a instalação d'A Escola da Noite no Teatro da Cerca de São Bernardo.

Hurra, gritou o senhor X. e tirou o casaco, da naftalina, o casaco dos dias especiais.

17.9.08

O senhor X. não gostava de ratos. Talvez porque fossem cinzentos, tivessem olhinhos de alfinete, pêlo de escovinha, ou por causa da sua cauda fininha. Sentia calafrios quando pensava em ratos, quando pensava na possibilidade de se poder cruzar com um qualquer representante da espécie. Fazia sempre a cena da Beatriz Costa, dava um gritinho, saltava para cima da mesa e subia as calças acima dos tornozelos o que lhe conferia uma imagem oposta ao seu costumeiro sério. Tinha pesadelos com ratos e achava que poderiam ser verdadeiramente tumultuosos na vida das pessoas…

16.9.08






















…Que mixórdia! e que canalha eu sou quando deparo para o fundo de mim mesmo!… Mas não me julguem infeliz. Não sou infeliz. Devo confessar que depois que sou desgraçado é que me sinto mais feliz. Encontrei-me. Não tenham pena de mim. Sou o Teles que toda a gente conhece — e sou rei…

"O Rei Imaginário", Raul Brandão


















caneta, trauteando James Brown

14.9.08

O senhor X. andava perplexo com o mega empreendimento da ciência; reproduzir, em laboratório, um "verdadeiro" Big Bang. Não compreendia a necessidade de se gastarem milhões num artifício se, todos os dias, algures no planeta, havia umas quantas manifestações avassaladoras. Ele próprio, na sua vida, já tinha conseguido alguns Big Bang(s).

12.9.08





























ilustração de Mário Botas para "O Senhor Custódio", de Raul Brandão
Edições Quetzal

11.9.08

O senhor X. não conseguia significar. Era um zero. Um zero absoluto.
Não desenvolvia sombra, mesmo nos dias mais solarengos.
Escondia-se por trás das palavras e ficava à espera que os dias acontecessem iguais.

10.9.08

Desafinar

O azul é de natureza etérea.
É cor de seres poetas, pintores [Brandão, Abel Neves, Matisse, Chagall].
É difícil o azul. A mim, facilmente me sai roxo.

8.9.08

É claro, que a figura do senhorio é já uma imagem arqueológica, substituida pelo pagamento automático do empréstimo bancário. Confesso que sou uma conservadora, por isso, oito é o dia de ir pagar a renda, com todo o cerimonial implícito, que termina na gavetinha onde se arrumam os recibos.
Oito, é também, o dia fatal na economia do lar. O dia em que a minha conta emagrece drasticamente e posso, enfim, dar largas à imaginação contabilística.

6.9.08

O Ministro da Cultura, que prometeu "fazer mais com menos", já acabou com o PONTI.

4.9.08
























Um morcego às voltas na sala, perdido, atirando-se contra as paredes, os móveis. Um esquisso esvoaçante, grotesco e frágil.
Conseguiu, por fim, voar em direcção à janela aberta e diluiu-se no preto da noite.

2.9.08

O ser malhado que aqui está, posando com este ar sereno, de natureza com laranjas, acabou de "gatarranhar" um desenho. Gato "frito"... com laranja(s)!?