26.8.08

Há dias que nos derrubam.
No meu calendário, 26 de Agosto é um não dia.

22.8.08


















Em preparação, n'A Escola da Noite.
Com muitos afazeres implícitos, vou estacionar esta caneta, por uns tempos...

21.8.08

Nelson Évora
Neelson Évoora
Neeeelson Évoooora

Caneta, eufórica, comemorando o salto de 17,67m de Nelson Évora, Jogos Olímpicos de Pequim. Medalha de ouro.
"Um salto para o infinito", parece!

19.8.08




















Esta é uma imagem do fotógrafo Augusto Baptista, escolhida entre muitas centenas que já fez para A Escola da Noite. É do espectáculo "Ao Partir Palavras" e é das minhas preferidas. Hoje, que é o dia mundial da fotografia.

18.8.08























Os meus dias de praia foram quase sempre cinzentos. Agora, que dei início à deprimente "rentrée", já lhes sinto a falta. Maaaaaaaaaarrrrrr! Azul, verde, ou mesmo cinzento...
As pessoas que vivem no interior, deviam pagar menos impostos, era, assim, uma espécie de compensação por índice de claustrofobia.
Vanessa Fernandes

medalha de prata no triatlo
Jogos Olímpicos de Pequim
2008

Uma cyberborg rapariga…

16.8.08

Informamos que o nadador norte americano Michael Phelps é, afinal, um cyberborg, com um sistema mecânico complexo e avançado que produz um ruído de braçada; boop, boop, boop, que desconcentra os restantes nadadores.
Desconfiamos que o atleta jamaicano Usain Bolt possua igualmente estas características, no entanto, produz um ruído diferente; beep, beep, beep.
Continuaremos atentos.
Hoje voltou a ser um dia triste para o desporto português. Francis Obikwelu não conseguiu ser apurado para a final dos cem metros e anunciou que terminava a sua carreira, pedindo desculpa aos portugueses.
Por que raio temos de fazer sentir aos desportistas de alta competição que, quando não são ganhadores, têm de pedir desculpa?
Portugal, sim, devia fazê-lo, por não ter uma estratégia, forte, de apoio ao desporto que não é futebol.

15.8.08

Francis OBIKWELU

PARABÉNS ao nosso veloz nigeriano português que ficou em terceiro lugar e foi apurado para as meias finais dos 100 metros. Vai ter que competir com atletas que têm tempos fantásticos. Mas, talvez possa(mos)...

14.8.08

Caneta desconhecida escreveu, neste sítio, que o senhor presidente da Câmara de Viseu mandou retirar todos os cartazes da Festa do Avante!
A Tica decidiu, determinada, acordar-me todas as manhãs, pontualmente, ás nove horas. Uma pata insistente no rosto, uma vez, duas, três e lá me levanto. Não é fome, porque ainda tem comida. Uns mimos, umas brincadeiras e, com toda a sua lata de gata, vai dormir o resto da manhã, na minha cama. Ás vezes, rendo-me e sigo o seu improdutivo conselho e lá vou... até ao meio dia. O ócio em deprimente contagem decrescente.

12.8.08

O senhor Silva, mestre do suspense, decretou o fim da navegação aérea nos céus do seu sítio de férias. Encontrei agora um passarito muito incomodado com o transtorno do desvio a que foi obrigado. Sugeriu que mandássemos o senhor Silva para o Cáucaso... para outros destinos, onde as suas determinações pudessem ter um efeito pacificador.

11.8.08

o universo sem scaner...
sem a minha máquina fotográfica...
sem o cabo não sei das quantas...
sem a tia Micos
este computador infernal!
INFOexcluída

no próximo verão, já poderei pedir emprestado, ao meu sobrinho, o seu computador Magalhães...

1.8.08

Férias! Outros universos, dois miúdos turboligados, um filho em constante "por aí" e telemóvel sem bateria, dois gatos e a cozinha da minha mãe...

30.7.08

PLATÓNOV de Anton Tchékhov
Teatro de São João
encenação de Nuno Cardoso

Um espectáculo de quatro horas que prova, definitivamente, que esta peça, considerada irrepresentável, é importante no universo de escrita de Tchékhov e pode suscitar extraordinárias soluções de construção, visto que é também uma peça exigente.
Tem um movimento frenético de acções e emoções e uma personagem central, Platónov, capaz de uma deriva constante entre crueldade e fragilidade, que exige, de um actor, muita transfiguração.
Para mim, que sempre gostei de estações de comboio e da eminente possibilidade de outra vida que sempre convocam, a solução das linhas de caminho de ferro, que domina todo o espaço, constitui uma das marcas sensíveis do espectáculo. Tem outras; um corpo aprisionado, perdido, no meio de cena, e Platónov, eufórico e temeroso, escondido na sua secretária de mestre-escola.




























Após longos meses de penúria ofereço(-me) uma viagem que inclui espectáculo de teatro, alojamento e jantar simpático. O Porto, num abrir e fechar de olhos!
O meu quarto de pensão barata tem o charme especial dos sítios com mobiliário antigo. Abro a varanda e sente-se o pulsar nocturno da cidade. Mesmo no quarto andar, é um som forte, de vida a acontecer. Com as suas ruas sinuosas e casas de pedra escura, é uma cidade protectora, um esquisso de telhados, brumas e gaivotas estridentes.
Na manhã seguinte, antes do regresso a Coimbra, tempo para conhecer um café com mesas verdadeiras e tranquilos leitores de jornal e descobrir, por acaso, a Rua Cândido dos Reis, a Cooperativa Cultural Gesto e um armazém de tecidos. A cidade cosmopolita, da "cultura urbana emergente", paredes meias com o Porto gracejador marialva.
A caminho da estação, testo a minha capacidade de orientação no metro. Alguma nabice, facilmente solucionada com ajuda alheia e um "num tem de quê menina". Se me chamam "menina", tem de ser uma cidade amiga!
Penso em como o metro devolveu, ao Porto, alguma qualidade de vida, facilitando a deslocação das pessoas num circuito urbano extenso, reduzindo a circulação automóvel e em como as resistências de Coimbra ao metropolitano de superfície, não fazem sentido.
Escrevo, numa espécie de gíria economicista; o Porto é uma cidade "com enorme potencial". Carregada de história, tem uma arquitectura diversa e fulgurante, tem um rio enorme e simpático, o mar ali à porta, instituições e equipamentos importantes como Serralves, a Casa da Música, o Teatro de São João, o "Glorioso" e não consegue ter um poder local dialogante e imaginativo, comprometido com as necessidades das pessoas. Felizmente, essas pessoas vão dando sinal de conseguirem organizar-se em movimentos cívicos, que poderiam constituir exemplo reivindicativo para outras cidades.

22.7.08

















PINK miúda LOOKING INSIDE

Por dentro do ser, há muito ser, profundo, com muitas formas e cores.
Há arco íris verdadeiros. Há castelos de gelado com natas. Um gato, chamado Estrela, a brincar ás escondidas. Um rato de estimação, dentro do gato Estrela. Experiências de verdadeiros cientistas loucos (com luvas). Pratos de sopa vazios. Palavras que nunca acabam, para as histórias da avó. Um vento maluquinho. Peixes prateados. E um rio pequenino, de apanhar seixos com o meu irmão.

19.7.08

Parabéns ao Nelson Mandela!
…e que África cumpra os desígnios de autonomia e paz que são a sua luta.

Nelson Rolihlahla Mandela nasceu a 18 de Julho de 1918.

18.7.08























Vamos ver as montras! A expressão parece antiquada.
Não é por termos banido esse acto diletante, meio aburguesado, dos nossos quotidianos frenéticos, é mais porque gostamos de ruas com ar condicionado e passarinhos em colunas de som.
Vamos ver as montras?! …Ou vamos ver-nos nas montras?
De qualquer forma, as montras estão cheias de papel de jornal, com letreiros "vende-se", ou "trespassa-se".

15.7.08

Pensávamos nós que um ministro em silêncio é um homem reunido com os seus secretários a conhecer a matéria das suas preocupações, a planificar, a estabelecer consensos, a definir estratégias…
O Ministro da Cultura que, finalmente, se deu a conhecer ao país, em dois "lençois" do caderno principal do Expresso, revelou-nos que a cultura vai continuar no mesmíssimo grau zero dos interesses nacionais.
Uma linha de crédito para aquisição de obras de arte(?), outra linha de crédito para os artistas complementarem a sua formação (?), uma plataforma informática 3D para divulgar os museus nacionais (?), grandes empresas mecenas (?), criar (mais?) cursos na área das artes (?), fazer mais com menos (????)…
Ainda bem que decidiu reabilitar o Palácio da Ajuda, pois quer parecer-nos que não é um sítio inspirador.

11.7.08

O excelentíssimo senhor Presidente da Câmara, o Comité da Passadeira Vermelha e do Fogo de Artifício e os digníssimos orgãos de comunicação social de Coimbra inauguraram, ontem, com a benção da Rainha Santa, uma rotunda de escala mediana, com um pequeno arbusto central, cabisbaixo e surpreendido com a solenidade.
Pensamos que se trata de uma extraordinária e inovadora obra de engenharia e talvez prefigure uma especial tendência da cidade para seguir em círculo. Aguardamos pois, com ansiedade, a candidatura a Cidade Universal das Coisas Medianas e Redondas.

nota: o arbusto foi o único que não sorriu para a fotografia!














MATÉRIA DE POESIA
espectáculo com poemas de Sophia de Mello Breyner,
Carlos de Oliveira, Adélia Prado, Manoel de Barros e Alexandre O'Neill

A Escola da Noite em PINHEL no Cine Teatro São Luís
12 de Julho 21.30h

7.7.08

Temos de, ou temos que? (ir!)
















A companhia alemã BERLINER ENSEMBLE, apresentará a sua mais recente produção, "Peer Gynt", de Ibsen, com direcção de Peter Zadek, 12 e 13 de Julho na sala principal do Teatro Municipal de Almada.


LOU REED interpreta o álbum «Berlin» em dois concertos em Portugal, no dia 19 Julho no Campo Pequeno, em Lisboa, e no dia 20 em Loulé. O ex-Velvet Underground contará em palco com cerca de trinta pessoas, entre as quais o New London Childrens Choir e o director musical Bob Ezrin, o produtor original de «Berlin».

5.7.08

a arte
a aarte
a aaarte
(pausa)
a aaaaaaar-te
(pausa longa)
das triiiiiiiipas,
cooooooraaaaaação…

_
versão coral do poema "Arte"

Das tripas,
coração.

de Adélia Prado, no espectáculo "Matéria de Poesia" d'A Escola da Noite

4.7.08

Estudo cromático para um AZUL IMPOSSÍVEL


Tudo isto feito de pó, e sempre duas tintas predominando, a do mar azul e a do céu azul, uma esverdeada como uma solução de sulfato, a outra infinita e etérea.

Azul, azul vivo, azul que a luz trespassa e estremece, azul que não tem limites.

… o azul vivo, o azul esplêndido.

Os Pescadores (excertos)
Raul Brandão

3.7.08













… o grotesco de todos os dias, quando do outro lado galopa e
passa uma coisa sôfrega e imensa.

O Doido e a Morte (excerto)
Raul Brandão

1.7.08






























Era uma vez…
[uma história, no sentido descendente]

1































duas… três… e quatro…

2
































…o mesmo macaco chinês, o gato que toca piano…

3






























e a sereia que fala francês…

4






























…o rato do panelão, a carocha da janelinha…

5






























…o príncipe-sapo cortês e a Conceição… do capuz vermelho, das sandes de salpicão e do lobo…
Era uma vez… duas… três…
Era… verão!…

28.6.08





























Uma árvore, um banco e o vento de feição; tudo o que é preciso para se contar uma história…

Era uma vez… duas… três… e quatro… o mesmo macaco chinês, o gato que toca piano e a sereia que fala francês… o rato do panelão, a carocha da janelinha, o príncipe-sapo cortês e a Conceição… do capuz vermelho, das sandes de salpicão e do lobo… Era uma vez… duas… três…
Era… verão!…

26.6.08
























Imagem de Graça Morais para o CONGRESSO FEMINISTA em 2008, que reúne activistas e cientistas que defendem um mundo de iguais oportunidades.
26 27 e 28, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian e na Faculdade de Letras.

www.congressofeminista2008.org
























Uma imagem da superfície do planeta Marte, captada pela sonda Phoenix, como se fosse uma realidade ao nosso alcance imediato.
A minha avó, que morreu sem acreditar que o homem tivesse ido à lua, dizia que as imagens sobre as várias explorações lunares, que via na televisão, eram simples histórias e truques. "E, vocês santinhas (como quem diz ingénuas), acreditam em tudo!".

25.6.08






























últimas apresentações de Bonecos e Farelos
d'A Escolada Noite, com encenação de António Jorge
até 28 de Junho, quinta, sexta e sábado às 21.30h
Oficina Municipal do Teatro

24.6.08





























esferografados… esferografos…

23.6.08





















Esta é uma mensagem publicitária, uma sugestão de investimento à medida de todos os bolsos desfavorecidos, que põe os cabelos em pé ao Berlusconi e vai deixar o Nanni Moretti muito invejoso.
www.leorne.com

21.6.08
















E la nave va…

Céu escuro… Pensar no longínquo das cidades. Ir por aí. Escrever coisas menores na paisagem. Memória. Querer outra memória. Corpo. Querer outro corpo. Querer outro corpo sem velhice. Mãos. Grandes. Mãos grandes, onde se cabe inteiro. Gargalhar. Gargalhar. Ser. Ser pior. Ser melhor. Ser pior melhor… Comboio… Comboio… Comboio… Céu azul.

20.6.08




















A realidade, numa outra perspectiva!

19.6.08

Nasceu no jardim suspenso lá de casa, uma "arvorinha"!
Agora, só tenho que manter a minha gata "verde", distraída…
Esta é uma mensagem para Dom Casmurro, jardineiro.

18.6.08














































Livros para crianças, da editora Planeta Tangerina, que todos os adultos gostam de ler. Estes dois, com grafismo e ilustrações de Bernardo Carvalho.
www.planetatangerina.com
www.planeta-tangerina.blogspot.com

16.6.08

A caneta soltou-se-me e, em auto-gestão, decidiu sair em defesa dos emigrantes na Suíça que hoje foram trabalhar e, constrangidos, lá tiveram que enfrentar o sorrisinho eufórico do chefe, do director, do patrão…









Hélène Labarrière Quartet
"les Temps Changent"
[Dinamarca/França]
© Hélène Collon

O JAZZ AO CENTRO, com a cumplicidade dos comerciantes e dos moradores do larguinho e das Escadas do Quebra Costas, organizou um concerto memorável com o Quarteto da contrabaixista Hélène Labarrière.
Free jazz com muita ironia e virtuosismo. Sonoridades complementares, agrestes e suaves que constituiam um todo onde era difícil descobrir escrito e improviso.
Faltou-me comprar o CD. Espero que ainda esteja à venda na loja XM, ou em www.jazzaocentro.pt

14.6.08
















The travelers, 1943, fotógrafo desconhecido

Tocaram à campainha e não era do Círculo de Leitores, não era a Dona Conceição com as suas verduras, não era nenhum peditório para causas improváveis e muito menos de um movimento religioso pouco recomendável.
Queriam saber se eu estava interessada em comprar ou vender casa! Assim, sem mais nem menos, de porta em porta.
Só me ocorreu alugar, ou pôr à venda, um certo canto "blogosférico" secreto… mas o mercado está também saturado!…

13.6.08

FERNANDO PESSOA, o poeta "brincalhão" das muitas máscaras nasceu há 120 anos.

—
1[Alberto Caeiro] A Espantosa Realidade das Cousas

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

—
2 [Álvaro de Campos] Grandes são os Desertos…

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

















Para celebrar os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, a Casa Fernando Pessoa e a Câmara Municipal de Lisboa decidiram lançar um desafio à editora Loop:Recordings e marcar um encontro entre os escritos do poeta e algumas das mais aplaudidas vozes do movimento Hip Hop nacional. Melo D, Maze e Fuse dos Dealema, Raptor, Rocky Marsiano, Rodrigo Amado, Sagas, Dj Ride, T-One, D_Fine e Viriato Ventura (pai de Sam The Kid) serão os artistas que marcarão presença no palco montado no Terreiro do Paço. As actividades começarão às 18 horas, com DJs da Loop (Rui Miguel Abreu, José Belo, D-Mars, DJ Ride) a darem música à cidade enquanto painéis alusivos à iconografia pessoana serão pintados por Nomen, um dos mais reputados writers de graff nacionais. Às 22 horas começará o concerto propriamente dito. Entretanto, estão a ser dados os retoques finais num álbum de homenagem a Fernando Pessoa que a Loop:Recordings deverá editar em Setembro.












Ilustrações de Richard Câmara para ver na Casa Fernando Pessoa, entre 5 de Junho e 29 de Agosto.
Gostei muito da viagem de circum-navegação "Turismo Infinito" de Ricardo Pais sobre a obra de Pessoa.

12.6.08



















Encontrei o gato lá de casa, assanhado, no seu canto. Disse-me que estava furioso em estado contínuo e que nem os golos do Deco, do Ronaldo e do Quaresma o tinham ajudado. Pediu-me uma latinha daquelas que eu sabia… talvez assim…

10.6.08

O nosso Presidente decidiu sublinhar que hoje é o Dia da Raça.
Eu e muitos outros portugueses decidimos sublinhar o oposto; comemorar a cultura e a língua, que definem o nosso contexto e nos estruturam.

9.6.08

Este blogue que tem praticado a bonomia, hoje, eriçou-se! Paredes meias com o teatro onde trabalho, decidiram construir uma feira!
Gosto de feiras. Gosto de algodão doce, de balões, de farturas e de carrinhos de choque, mas não me parece boa ideia uma feira colada a um espaço onde é suposto apresentar espectáculos em boas condições acústicas…
Também não me parece boa ideia que os feirantes tenham que sair do simpático largo da Igreja dos Olivais, para virem montar o seu negócio no antigo parque de estacionamento da ECOVIA, que é um espaço árido, insuportável em dias de sol e calor.
E agora, integramos o Mickael Carreira e a Shakira na banda sonora do espectáculo?

3.6.08

…é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
… mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
… muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida — disse o senhor Henri.
… nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Henri, Caminho

1.6.08

Vamos lá imaginar a cidade do penteaaaaaado
onde as casas
p'ra variar
têm cabelo e não telhaaaaaado!

best of do José Barata Moura (excerto)
"devidamente" cantado à minha sobrinha

31.5.08





























Com a realidade que temos à mão, podemos sempre construir outros cenários!
Há muito que recortei esta imagem, da qual desconheço o fotógrafo. Corresponde a um momento real da guerra nos Balcãs.

29.5.08









CIRCOLANDO Casa-Abrigo
Até 31 de Maio, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, com direcção de André Braga e Cláudia Figueiredo.

Seis velhas que desvendam o segredo da vitalidade, num encantatório caminho pelos lugares das insignificâncias que produzem as grandezas da nossa imaginação. Como um novelo que se enrola sempre… e sempre… e sempre… e sempre…
Um espectáculo feito de sal e de lã.

24.5.08


















Quando o sábado se faz cinzento, a solução é descer à Baixa, percorrer as ruas demoradamente e deixar-se vencer pelo turbilhão da azáfama alheia. Podemos comprar uns disparates, ou invejar a capacidade gastadora compulsiva dos outros ou, simplesmente, sentar num café simpático, na companhia do mais enjoativo bolo de chocolate e natas que se encontre.
Hoje não havia turbilhão e as casas, onde não mora ninguém, pareceram-me assustadoras, como pedaços sem alma na cidade. O bolo de chocolate que me serviram não tinha açucar e as natas eram light!

23.5.08

1 infância





















fotógrafo desconhecido, Ohio Canal, 1915

2 sem infância






















© Lewis Wickes Hine, selling papers, 1910

20.5.08
























Birmanesa, líder da oposição ao regime ditatorial do país e activista dos direitos humanos.
Nasceu em 1945, em Rangum, filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia que foi assassinado quando Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.
Depois de ter vivido em Londres, regressou ao seu país em 1988, por altura da morte da mãe. O seu retorno à Birmânia coincidiu com a eclosão de uma revolta popular espontânea contra vinte e seis anos de repressão política e de declínio económico no país. Em pouco tempo, Suu Kyi tornou-se a líder do movimento de contestação ao regime militar.
Nesse ano de 1988, morreram dez mil pessoas em consequência das medidas de repressão adoptadas pelo regime. Após o seu partido (a Liga Nacional para a Democracia) ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, Suu Kyi viu-se remetida a prisão domiciliária pela junta militar que governa. A Birmânia continuou a ser dirigida pelo general Ne Win num regime ditatorial, mas a luta pela democracia ganhava crescente visibilidade e apoio internacional. [!!!!??]
Em 1990, Aung San Suu Kyi ganhou o prémio Sakharov de liberdade de pensamento, e em 1991 foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz.

Wikipédia

19.5.08

Visconti
























Por coincidência, no mesmo dia em que o turbo caneta fez referência a Veneza, o canal estatal de televisão passou o fantástico filme, "Morte em Veneza", de Luchino Visconti.
"O Leopardo", do mesmo autor, é um dos meus filmes preferidos. Lembra-me "O Cerejal" de Anton Tchékhov que é, por sua vez, uma das peças de teatro de que mais gosto.
Há um delicado fio narrativo que habilmente se vai desenvolvendo, uma mesma ideia sobre o tempo, o amor e a morte, que se abatem de forma lenta e inexorável sobre o quotidiano das pessoas e sobre os lugares.
E os lugares são não-lugares e as personagens vagas.
A cena final de "Morte em Veneza", tal como a morte de Firs em "O Cerejal" são dilacerantes.

18.5.08





























fotografia do 1ºde Maio de 1974 em Portugal

Podiamos aproveitar a maré de nostalgia do Maio de 68, provocar a história e renovar a(s) democracia(s). Há uns tantos políticos/patrões/empresários/chefes prepotentes para meter na linha, uns quantos maridos e pais que mereciam ver uns soutiens queimados, há umas guerras e umas ditaduras que podiam acabar…
Mas há-de ser difícil erguer o rabo burguês e sair do gabinete com ar condicionado, para voltar a encher as ruas com palavras de ordem!

17.5.08




















Há cidades que ficam na nossa memória como lugares ficção. É o caso de Veneza, aqui retocada com um azul poético e nostálgico.
Esta fotografia antiga, que encontrei no sotão, em casa da minha mãe, lembra-me uma viagem em família em que o meu pai me convenceu que podia visitar a Bienal de Veneza numa manhã. O meu pai era um homem silencioso e inquieto e é por causa dele que gosto tanto desta cidade azul, que não existe.

16.5.08

1





















contribuição gráfica para um escrito anónimo no turbocaneta
[para ler no sentido descendente]

2





















voo

3





















esgravato (de gravata e sapato)

4





















voo por entre raízes calhaus

5





















toupeira dos ares