Escrita ainda mais pequena
O senhor X referiu que não era culpa sua, nem do gato preto, nem da sexta-feira que era treze, ou do escadote que teimava em passar por cima das pessoas...
13.1.12
11.1.12
10.1.12
Escrita mínima (verdadeira)
O senhor X diz que a árvore das traseiras canta todos os dias. Arvoresce numa grande chinfrineira, emprestando os seus galhos de poucas folhas aos muitos pássaros que aí passam a noite.
Pelas sete horas (hora de inverno), são imensos os cantares diferentes em desafio. Passada uma boa meia hora, fazem silêncio absoluto e sucedem-se os ruídos da cidade a começar.
O senhor X diz que a árvore das traseiras canta todos os dias. Arvoresce numa grande chinfrineira, emprestando os seus galhos de poucas folhas aos muitos pássaros que aí passam a noite.
Pelas sete horas (hora de inverno), são imensos os cantares diferentes em desafio. Passada uma boa meia hora, fazem silêncio absoluto e sucedem-se os ruídos da cidade a começar.
2.1.12
1.1.12
29.12.11
11.11.11
10.11.11
7.11.11
2.11.11
1.11.11
17.10.11
29.9.11
22.9.11
10.9.11
4.8.11
2.7.11
30.6.11
29.6.11
Figurinos para "Teatro Menor"
Um grupo de actores vindo de um lugar e de um tempo indeterminados, errando pelo espaço, sem identidade definida, uma espécia de humanidade sobrevivendo, passando pelo espectador, entre a ideia de magia do teatro e a ideia de resistência ao tempo.
Os figurinos devem parecer que foram vestidos desde sempre. Uma certa unidade pode estabelecer-se a partir do riscado dos tecidos para fato do século passado, do vermelho do teatro e também das históricas parelhas do cinema, do teatro e da literatura: Laurel e Hardy, Harpo e Grouxo, Dom Quixote e Sancho Pança, Jacques e o seu amo, Cândido e Pangloss, bem como de figuras como Charlot, Vasco Santana, António Silva, Ribeirinho, Monsieur Hulo, etc.
Acentuar os pares, quer pelas suas semelhanças, quer pelas suas diferenças.
Trabalhar o lado clownesco de algumas personagens.
Os actores representam várias personagens diferentes, mudando de forma camaleónica, quer em bastidor, quer frente ao público, utilizando muitos dos figurinos e calçado que fazem parte do espaço cénico.
O calçado, disposto em filas no espaço, representa a "grande caminhada da humanidade". Tal como o chapéu de coco, confere existência a quem o usa. Tirar partido do som de alguns sapatos.
Tratar a ambiguidade sexual, especialmente no texto "Miragens".
Utilizar alguns elementos de viagem: malas, sacos, pequenas sacolas penduradas, mochilas.
Trabalhar a convenção e os referentes teatrais, na sua construção e desconstrução.
Cores: preto, branco, bege, vermelho/carmim...






Um grupo de actores vindo de um lugar e de um tempo indeterminados, errando pelo espaço, sem identidade definida, uma espécia de humanidade sobrevivendo, passando pelo espectador, entre a ideia de magia do teatro e a ideia de resistência ao tempo.
Os figurinos devem parecer que foram vestidos desde sempre. Uma certa unidade pode estabelecer-se a partir do riscado dos tecidos para fato do século passado, do vermelho do teatro e também das históricas parelhas do cinema, do teatro e da literatura: Laurel e Hardy, Harpo e Grouxo, Dom Quixote e Sancho Pança, Jacques e o seu amo, Cândido e Pangloss, bem como de figuras como Charlot, Vasco Santana, António Silva, Ribeirinho, Monsieur Hulo, etc.
Acentuar os pares, quer pelas suas semelhanças, quer pelas suas diferenças.
Trabalhar o lado clownesco de algumas personagens.
Os actores representam várias personagens diferentes, mudando de forma camaleónica, quer em bastidor, quer frente ao público, utilizando muitos dos figurinos e calçado que fazem parte do espaço cénico.
O calçado, disposto em filas no espaço, representa a "grande caminhada da humanidade". Tal como o chapéu de coco, confere existência a quem o usa. Tirar partido do som de alguns sapatos.
Tratar a ambiguidade sexual, especialmente no texto "Miragens".
Utilizar alguns elementos de viagem: malas, sacos, pequenas sacolas penduradas, mochilas.
Trabalhar a convenção e os referentes teatrais, na sua construção e desconstrução.
Cores: preto, branco, bege, vermelho/carmim...






25.4.11
15.4.11
Escrita mínima
Não estamos em crise! Não estamos em crise! Não estamos em crise! Não estamos em crise! — Repetir sincopadamente, após as refeições, seguido de copo de água. — Exercício recomendado ao senhor X e restantes mangas de alpaca desta repartição, por sentirem, subitamente, fortes indícios de vidas num oito e nuvens cinzentas sobre as suas cabeças.
Não estamos em crise! Não estamos em crise! Não estamos em crise! Não estamos em crise! — Repetir sincopadamente, após as refeições, seguido de copo de água. — Exercício recomendado ao senhor X e restantes mangas de alpaca desta repartição, por sentirem, subitamente, fortes indícios de vidas num oito e nuvens cinzentas sobre as suas cabeças.
12.4.11
6.4.11
Sócrates being
Ser? — Escreveu o velho actor, com giz branco, no soalho escuro do teatro, dividido entre o que fora e o que ainda queria ser.
Como? — E continuava a escrever.
Já experimentara muitos seres, alguns ajustavam-se na perfeição, outros divergiam, como se não coubessem em si. Podia dizer-se que transbordava de ser e, no entanto, faltava-lhe ainda.
Ser! E não ser! — E continuava, enchendo o espaço de palavras brancas, que brilhavam com a luz dos projectores...
Ser? — Escreveu o velho actor, com giz branco, no soalho escuro do teatro, dividido entre o que fora e o que ainda queria ser.
Como? — E continuava a escrever.
Já experimentara muitos seres, alguns ajustavam-se na perfeição, outros divergiam, como se não coubessem em si. Podia dizer-se que transbordava de ser e, no entanto, faltava-lhe ainda.
Ser! E não ser! — E continuava, enchendo o espaço de palavras brancas, que brilhavam com a luz dos projectores...
9.3.11
Escrita mínima
Bolas, para a maçã; escrevinhou o senhor X no seu caderninho, enquanto o seu computador colapsava logo ali.
Companheiro de muitas jornadas, era agora apenas uma máquina vencida, sem qualquer possibilidade de reanimação.
E ainda por cima a crise... A crise em todos os flancos.
Que "mais" inventar, para tamanho "menos"?
Restava a caneta, a fiel caneta BIC BIC BIC...
Bolas, para a maçã; escrevinhou o senhor X no seu caderninho, enquanto o seu computador colapsava logo ali.
Companheiro de muitas jornadas, era agora apenas uma máquina vencida, sem qualquer possibilidade de reanimação.
E ainda por cima a crise... A crise em todos os flancos.
Que "mais" inventar, para tamanho "menos"?
Restava a caneta, a fiel caneta BIC BIC BIC...
1.3.11
28.2.11
26.2.11
24.1.11
17.1.11
29.12.10
Escrita mínima
A menina X descobriu um trevo de quatro folhas no meio de um velho livro de receitas de cozinha, num antiquário. Na verdade, não acredita nestes sinais, mas pareceu-lhe emocionante encontrar, por acaso, uma pequena planta seca, que um desconhecido guardou cuidadosamente, entre páginas e páginas e páginas...
A menina X descobriu um trevo de quatro folhas no meio de um velho livro de receitas de cozinha, num antiquário. Na verdade, não acredita nestes sinais, mas pareceu-lhe emocionante encontrar, por acaso, uma pequena planta seca, que um desconhecido guardou cuidadosamente, entre páginas e páginas e páginas...
6.12.10
14.10.10
Escrita mínima
O senhor X escreveu; hoje somos todos mineiros, resgatados de um qualquer buraco escuro.
"Vance has trapped for several years in a West Virginia coal mine at 75 cents a day for 10 hours work. All he does is to open and shut this door: most of the time he sits here idle, waiting for the cars to come. On account of the intense darkness in the mine, the hieroglyphics on the door were not visible until plate was developed."

© Lewis Hine, 1908
O senhor X escreveu; hoje somos todos mineiros, resgatados de um qualquer buraco escuro.
"Vance has trapped for several years in a West Virginia coal mine at 75 cents a day for 10 hours work. All he does is to open and shut this door: most of the time he sits here idle, waiting for the cars to come. On account of the intense darkness in the mine, the hieroglyphics on the door were not visible until plate was developed."

© Lewis Hine, 1908
23.9.10
22.9.10
6.9.10
20.8.10
Ainda não foi desta que fiz as pazes com o mês de Agosto e não vou na cantiga das manhãs luminosas, dos dias longos, dos céus estrelados. Estou sempre de pé atrás com o mês de Agosto e já me traiu várias vezes. Ficamos ali a olhar para a natureza na sua magnífica pujança e a engrenagem do mundo sem saber seguir-lhe a sugestão.
15.7.10
6.6.10

© John Vachon
Escrita mínima
O senhor X escreveu no seu caderno, com a sua caneta de aparo reluzente, sobre a economia sem ética, a tal do lucro invisível, do lucro não partilhado, dos desempregados culpados, do estado só de alguns, do estado impossível, da inconstitucionalidade-mas-ás-vezes-por-razões-de-força-maior...
27.5.10
(...) Confesso que me senti muito inquieto pensando na extraordinária delicadeza e fragilidade da lua. É que a lua fabrica-se, habitualmente, em Hamburgo e é de péssima qualidade. Admira-me que a Inglaterra não preste atenção a este facto. O fabricante é um tanoeiro coxo, e vê-se logo que é um imbecil, não tem a mínima noção do que é a lua. Utilizou uma corda suja de alcatrão, e uns restos de azeite de lâmpada rançoso; por isso, é terrível o fedor por toda a terra; é obrigatório tapar o nariz. Daí que a própria lua seja uma bola tão frágil que as pessoas não podem viver nela, pelo que só lá moram narizes. É por esta mesma razão que não podemos ver os nossos próprios narizes, uma vez que estão todos na lua. (...)
in "Diário de um louco", Nikolai Gógol, 1834
o texto integral foi trabalhado numa oficina de teatro, coordenada pel'A Escola da Noite, com os alunos do primeiro ano de Estudos Artísticos.
in "Diário de um louco", Nikolai Gógol, 1834
o texto integral foi trabalhado numa oficina de teatro, coordenada pel'A Escola da Noite, com os alunos do primeiro ano de Estudos Artísticos.
13.5.10
Escrita mínima, a 13 de Maio
Os mangas de alpaca, desta repartição, ainda não recuperaram da revelação recente do derradeiro segredo.
Estamos em crise! Decretou o nosso Ministro, com toda a pompa e circunstância, em bloco central, para que não restem dúvidas. Em C-R-I-S-E, definitivamente e ninguém nos vai valer!... Até porque farrapos de nuvens vulcânicas nos separam dos céus... Talvez se as nossas preces forem em islandês...
Nada a fazer, aguardamos, com o muito pouco que nos resta, o miraculoso-plano-financeiro-estratégico-agressivo que possa salvar-nos da ruína anunciada.
Os mangas de alpaca, desta repartição, ainda não recuperaram da revelação recente do derradeiro segredo.
Estamos em crise! Decretou o nosso Ministro, com toda a pompa e circunstância, em bloco central, para que não restem dúvidas. Em C-R-I-S-E, definitivamente e ninguém nos vai valer!... Até porque farrapos de nuvens vulcânicas nos separam dos céus... Talvez se as nossas preces forem em islandês...
Nada a fazer, aguardamos, com o muito pouco que nos resta, o miraculoso-plano-financeiro-estratégico-agressivo que possa salvar-nos da ruína anunciada.
26.4.10
1JOSÉ
o último espectáculo da TRILOGIA sobre Rubem Fonseca teve como mote, na sua construção, o poema "José" de Carlos Drummond de Andrade.

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde?
o último espectáculo da TRILOGIA sobre Rubem Fonseca teve como mote, na sua construção, o poema "José" de Carlos Drummond de Andrade.

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde?
6.4.10
21.3.10
18.3.10
6.3.10
1.3.10
26.2.10
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