4.9.12

Escrita mínima

Setembro cheira mesmo a dias novos — escreveu a menina X, no seu caderninho — é uma espécie de consolo reinventado pela natureza...




26.6.12





em lugar algum
dentro da casa
em cima da mesa
uma janela
e uma árvore
dentro da janela
e um pássaro
em cima da árvore
e um raio de sol
em cima da mesa
enchendo a janela
sobre a árvore
por dentro do pássaro
e o pássaro
cantando
por nada

13.1.12

Escrita ainda mais pequena

O senhor X referiu que não era culpa sua, nem do gato preto, nem da sexta-feira que era treze, ou do escadote que teimava em passar por cima das pessoas...

11.1.12

Escrita mínima (verdadeira) II

Hoje, pareceu ao senhor X que a árvore cantava em modo furioso...

10.1.12

Escrita mínima (verdadeira)

O senhor X diz que a árvore das traseiras canta todos os dias. Arvoresce numa grande chinfrineira, emprestando os seus galhos de poucas folhas aos muitos pássaros que aí passam a noite.
Pelas sete horas (hora de inverno), são imensos os cantares diferentes em desafio. Passada uma boa meia hora, fazem silêncio absoluto e sucedem-se os ruídos da cidade a começar.

2.1.12

© John Vachon 1940

Escrita mínima

Hoje, é o primeiro dia útil do ano — anotou o senhor X, mesmo ali, na ponta da toalha de papel sobre a mesa, onde também acabara de fazer as contas à sua vida.
Tinha-se esquecido de comprar uma agenda. Quem sabe se os dias deste ano conseguem organizar-se melhor sozinhos...