30.7.08

PLATÓNOV de Anton Tchékhov
Teatro de São João
encenação de Nuno Cardoso

Um espectáculo de quatro horas que prova, definitivamente, que esta peça, considerada irrepresentável, é importante no universo de escrita de Tchékhov e pode suscitar extraordinárias soluções de construção, visto que é também uma peça exigente.
Tem um movimento frenético de acções e emoções e uma personagem central, Platónov, capaz de uma deriva constante entre crueldade e fragilidade, que exige, de um actor, muita transfiguração.
Para mim, que sempre gostei de estações de comboio e da eminente possibilidade de outra vida que sempre convocam, a solução das linhas de caminho de ferro, que domina todo o espaço, constitui uma das marcas sensíveis do espectáculo. Tem outras; um corpo aprisionado, perdido, no meio de cena, e Platónov, eufórico e temeroso, escondido na sua secretária de mestre-escola.

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