Economia X
Talvez, porque esta seja uma época de boa vontade entre os homens, o senhor X decidiu deitar abaixo a parede do seu gabinete e juntou-se aos restantes mangas de alpaca, desta micro empresa em vias de crescimento, naquilo que apelidou de sistema horizontal de responsabilidades paralelas e mútua confiança.
Renunciou, ainda, a algumas regalias de chefe: monovolume, de vidros bassos, com motorista; cartão de crédito para despesas ilimitadas de representação; triplo ordenado de chefe; complemento para pensamentos de valor acrescentado; subsídio para visões de topo, o que lhe permitiu fazer investimentos em novas tecnologias, equilibrar os vencimentos dos restantes funcionários e, principalmente, reconquistar a menina X que, feliz, decidiu brindá-lo, em plena reunião geral de trabalhadores, com um dos seus beijos de cor carmim.
30.12.08
26.12.08
19.12.08
Contribuição assanhada 1
Sou um gato malhado de janela e, apesar de insistirem nessa estranha e xenófoba teoria de que não sou um ser pensante, devo avisar-vos de que estão enganados e de que muitas das minhas reflexões são bem mais elaboradas e profundas do que as de muitos bípedes que circulam, apressadamente, nas ruas aqui por baixo.
Aliás, devo acrescentar que me sinto especialmente produtivo e acutilante, desde que a árvore, aqui em frente, deixou cair todas as suas folhas, pois consigo alcançar muito mais mundo.
Muito lá à frente, depois daqueles montes nevados, fica a Europa. Nós, sempre na cauda, em lento compasso, "retraídos" e suspirantes!
Este ano, nem mesmo as luzes natalícias conseguiram devolver alguma graça ao mundo, pelo menos ao mundo da minha janela.
Sou um gato malhado de janela e, apesar de insistirem nessa estranha e xenófoba teoria de que não sou um ser pensante, devo avisar-vos de que estão enganados e de que muitas das minhas reflexões são bem mais elaboradas e profundas do que as de muitos bípedes que circulam, apressadamente, nas ruas aqui por baixo.
Aliás, devo acrescentar que me sinto especialmente produtivo e acutilante, desde que a árvore, aqui em frente, deixou cair todas as suas folhas, pois consigo alcançar muito mais mundo.
Muito lá à frente, depois daqueles montes nevados, fica a Europa. Nós, sempre na cauda, em lento compasso, "retraídos" e suspirantes!
Este ano, nem mesmo as luzes natalícias conseguiram devolver alguma graça ao mundo, pelo menos ao mundo da minha janela.
16.12.08
13.12.08
Afinal, a caneta especial tipo… da menina X é um lápis, com um coração quadriculado na ponta. A menina X acaba de ser seleccionada de um grupo de vários entrevistados concorrentes e irá fazer parte dos quadros deste micro grupo empresarial recém remodelado.
O ser peludo, lá de casa, também garantiu o seu posto de escriba assíduo, com as suas CONTRIBUIÇÕES ASSANHADAS, de peridiocidade a definir.
O ser peludo, lá de casa, também garantiu o seu posto de escriba assíduo, com as suas CONTRIBUIÇÕES ASSANHADAS, de peridiocidade a definir.
12.12.08
No seu estatuto de director presidente in chefe deste sítio, o senhor X enviou-me um mail acusando-me de abuso de ausência sistemática e injustificada e ameaçou despedir-me.
Expliquei-me… que havia setecentas criaturas e ainda uma outra (a pior!) que só agora serenavam e anuiam na minha libertação mas respondeu-me que se preparava para contratar canetas novas e reestruturar este sítio, por isso, ou voltava depressa, ou poderia adoptar um novo lugar de "funcionária out".
… é claro que podia imaginar o senhor X… no seu computador pré choque tecnológico… a rir-se… com os óculos na ponta do nariz… convencido de que tinha conseguido intimidar-me, armado em chefe autoritário da coisa pública. E, entretanto, um outro mail. — Prepare-se para uma avaliaçãozinha!
Expliquei-me… que havia setecentas criaturas e ainda uma outra (a pior!) que só agora serenavam e anuiam na minha libertação mas respondeu-me que se preparava para contratar canetas novas e reestruturar este sítio, por isso, ou voltava depressa, ou poderia adoptar um novo lugar de "funcionária out".
… é claro que podia imaginar o senhor X… no seu computador pré choque tecnológico… a rir-se… com os óculos na ponta do nariz… convencido de que tinha conseguido intimidar-me, armado em chefe autoritário da coisa pública. E, entretanto, um outro mail. — Prepare-se para uma avaliaçãozinha!
11.12.08
3.12.08
2.12.08
1.12.08
28.11.08
O senhor X determinou que não podíamos andar a "encher chouriços" no argumento da sua blog(o) novela e regressou de Paris, ontem mesmo, com a menina X.
Por um lado, era eu que andava a tentar transformar os seus devaneios em desenho e esperava assim poder esticar o tempo, esticando também as histórias. Por outro lado, a menina X não me simplifica a tarefa e todos os dias tem novas instruções e exigências sobre a sua personagem.
Lá fui buscá-los ao aeroporto e apercebi-me de alguma tensão entre os dois, especialmente, no momento de arrumar as cinco malas e um saquinho, no carro. Após muita tentativa, cálculos de volumetria e muita discussão, lá regressámos enlatados, em amuo colectivo, ao som de "Divine Comedy".
Por um lado, era eu que andava a tentar transformar os seus devaneios em desenho e esperava assim poder esticar o tempo, esticando também as histórias. Por outro lado, a menina X não me simplifica a tarefa e todos os dias tem novas instruções e exigências sobre a sua personagem.
Lá fui buscá-los ao aeroporto e apercebi-me de alguma tensão entre os dois, especialmente, no momento de arrumar as cinco malas e um saquinho, no carro. Após muita tentativa, cálculos de volumetria e muita discussão, lá regressámos enlatados, em amuo colectivo, ao som de "Divine Comedy".
26.11.08
20.11.08
Tentei dissuadir o senhor X de interromper, abruptamente, a sua blog(o) novela, dizendo-lhe que Madame Lagafffe estava a exercitar a sua ironia, logo a seguir ao almoço, no calor da conversa…
Apesar de tudo, preferia voltar — respondeu-me convicto.
A-vizinha-do-quarto-andar chama-se, agora, menina X e vai chegar com as suas cinco malas cheias de objectos fundamentais.
Lá em casa, vamos parecer "A Comunidade" do Luiz Pacheco. O gato já se ofereceu para dormir no colo da menina X, o interveniente-sentado-na-cadeira-de-verga-a-olhar-para-a-janela decidiu, finalmente, ensaiar uma nova desordem para o seu quarto e encontrar algum espaço, sob a profusão de fios eléctricos ensarilhados, os cinco rádios, a emitirem, simultaneamente, em diferentes ondas e frequências e as revistas, empilhadas em vários montes simétricos.
A menina X vai também poder utilizar este sítio e ter uma caneta especial, tipo…
Apesar de tudo, preferia voltar — respondeu-me convicto.
A-vizinha-do-quarto-andar chama-se, agora, menina X e vai chegar com as suas cinco malas cheias de objectos fundamentais.
Lá em casa, vamos parecer "A Comunidade" do Luiz Pacheco. O gato já se ofereceu para dormir no colo da menina X, o interveniente-sentado-na-cadeira-de-verga-a-olhar-para-a-janela decidiu, finalmente, ensaiar uma nova desordem para o seu quarto e encontrar algum espaço, sob a profusão de fios eléctricos ensarilhados, os cinco rádios, a emitirem, simultaneamente, em diferentes ondas e frequências e as revistas, empilhadas em vários montes simétricos.
A menina X vai também poder utilizar este sítio e ter uma caneta especial, tipo…
19.11.08
18.11.08
14.11.08
Recebemos um postal, muito breve, enviado pelo senhor X.
Ainda não vi a Torre Eiffel. Fico ainda algum tempo! — Assim escreveu, numa caligrafia a preceito, rematando com uma assinatura barroca… a esferográfica… de tinta verde choque… e cheiro a limão.
O gato, o-interveniente-sentado-na-cadeira-de-verga-a-olhar-para-a-janela e eu própria sentimo-nos como que espoliados.
Na sua secretária, ficou a caneta de tinta permanente com aparo reluzente e o caderninho de apontamentos…
Ter-se-á esquecido?!… Se calhar, decidiu ser outro X e encaixar, definitivamente, no universo POP CHOC da vizinha-do-quarto-andar.
Ainda não vi a Torre Eiffel. Fico ainda algum tempo! — Assim escreveu, numa caligrafia a preceito, rematando com uma assinatura barroca… a esferográfica… de tinta verde choque… e cheiro a limão.
O gato, o-interveniente-sentado-na-cadeira-de-verga-a-olhar-para-a-janela e eu própria sentimo-nos como que espoliados.
Na sua secretária, ficou a caneta de tinta permanente com aparo reluzente e o caderninho de apontamentos…
Ter-se-á esquecido?!… Se calhar, decidiu ser outro X e encaixar, definitivamente, no universo POP CHOC da vizinha-do-quarto-andar.
13.11.08
O senhor X anda muito atarefado com os preparativos da sua viagem a Paris. Encontrou um voo lowcost na net e pediu-me que lhe arranjasse um monograma para bordar nas suas camisas… Ou teria sido um monograma para, EU, bordar nas suas camisas?!
Na verdade, tive ainda de produzir um autocolante, que colocou na sua mala com o seguinte escrito: JE M'EN FOUS DE SARKOZY, J'AIME LE THÉÂTRE!
O senhor X, assim que chegar a Paris, passará pelo Eliseu para um solene protesto e, só depois, terá o seu happy beginning com a-vizinha-do-quarto-andar.
Na verdade, tive ainda de produzir um autocolante, que colocou na sua mala com o seguinte escrito: JE M'EN FOUS DE SARKOZY, J'AIME LE THÉÂTRE!
O senhor X, assim que chegar a Paris, passará pelo Eliseu para um solene protesto e, só depois, terá o seu happy beginning com a-vizinha-do-quarto-andar.
12.11.08
Abri a caixa de correio e, no meio das minhas contas a pagar, um postal colorido com uma Torre Eiffel, destinado ao senhor X.
Assim que lho entreguei, o seu rosto reacendeu-se e o senhor X elevou-se como uma personagem de Chagall.
Anda agora por aí, às voltas sobre os telhados, a gritar o seu amor perfeito e a sua vizinha-do-quarto-andar recuperada.
O gato, muito inquieto, produz uns ruídos estranhos, os mesmos que faz aos pássaros desmiolados, que voam nos céus da sua janela.
Assim que lho entreguei, o seu rosto reacendeu-se e o senhor X elevou-se como uma personagem de Chagall.
Anda agora por aí, às voltas sobre os telhados, a gritar o seu amor perfeito e a sua vizinha-do-quarto-andar recuperada.
O gato, muito inquieto, produz uns ruídos estranhos, os mesmos que faz aos pássaros desmiolados, que voam nos céus da sua janela.
8.11.08
7.11.08
5.11.08
RARA MANHÃ DE OPTIMISMO
A manhã fez-se azul e solarenga, após a longa maratona eleitoral nocturna. O senhor X saiu cedo de casa e encontrei-o na esplanada do café Santa Cruz. Olheirento, bebia uma taça de champanhe e comia castanhas assadas. Disse-me que o mundo acordara melhor.
O senhor X é um optimista… e o mundo precisa de mais manhãs de optimismo.
De seguida, pediu-me que lhe emprestasse dinheiro para o almoço…
A manhã fez-se azul e solarenga, após a longa maratona eleitoral nocturna. O senhor X saiu cedo de casa e encontrei-o na esplanada do café Santa Cruz. Olheirento, bebia uma taça de champanhe e comia castanhas assadas. Disse-me que o mundo acordara melhor.
O senhor X é um optimista… e o mundo precisa de mais manhãs de optimismo.
De seguida, pediu-me que lhe emprestasse dinheiro para o almoço…
31.10.08
29.10.08
O senhor X decidiu embezerrar e está, há dias, fechado no seu quarto, como se estivesse em greve do mundo. O pior é que anexou o meu gato, que permanece ronronante e solidário, na cabeceira da sua cama.
Hoje, decidi acabar com isto e fui bater-lhe à porta. — Então, senhor X, anime-se! — Nada, nem um som. — Vá lá, homem, vem aí um filme novo do Kusturica. — Silêncio, nem mesmo o gato se ouve. — Somos o único blogue, no mundo, que não expressou ainda a sua orientação de voto, nas eleições americanas… — Foi então que a chave rodou, lentamente, na fechadura e o senhor X me apareceu, olheirento e cambaleante. Entregou-me um papel onde tinha escrito: CHANGE, WE NEED! E, depois, sussurrou-me — Para vice-presidente… a vizinha do quarto andar!
Hoje, decidi acabar com isto e fui bater-lhe à porta. — Então, senhor X, anime-se! — Nada, nem um som. — Vá lá, homem, vem aí um filme novo do Kusturica. — Silêncio, nem mesmo o gato se ouve. — Somos o único blogue, no mundo, que não expressou ainda a sua orientação de voto, nas eleições americanas… — Foi então que a chave rodou, lentamente, na fechadura e o senhor X me apareceu, olheirento e cambaleante. Entregou-me um papel onde tinha escrito: CHANGE, WE NEED! E, depois, sussurrou-me — Para vice-presidente… a vizinha do quarto andar!
25.10.08
O senhor X, que substima os problemas técnicos e cromáticos deste blogue, a crise económica mundial e outros males que proliferam por aí, resolveu que as suas atenções eram todas da vizinha do quarto andar e transformou-se no maior pinga-amor de que há memória.
Com frequência, fica ausente e suspirante, escreve poemas e rimas manhosas no seu caderninho e, há dias, quando me preparava para provar a deliciosa tarte que encontrei no frigorífico, impediu-me, gritando que era para E-L-A.
Pensei que este E-L-A, arrebatador e sonante, significava um movimento importante, com reuniões clandestinas de chá e bolinhos, ou que então se tratava de uma qualquer divindade e que o senhor X se tornara um fanático religioso, mas, nunca, que a-fantástica-tarte-de-mirtilos-e-framboesas, que tinha sido cozinhada por si, se destinava, inteira, à vizinha do quarto andar.
Ainda não refeita desta cena, fui dar com o senhor X, muito concentrado, a tricotar o que parecia ser um vestido de lã vermelha. Perguntei-lhe se não estaria a exagerar, se não era um empreendimento de alto risco… E se as medidas não se ajustassem? É que nunca sabemos, de que ilusões de óptica não é capaz um pinga-amor!…
Na manhã seguinte, de saída para o trabalho, deparei-me com um senhor X muito apressado, galgando as escadas do prédio. Transportava uma caixa para bolos, um cabide com um vestido, um ramo de margaridas e o seu caderninho, no bolso do casaco dos acontecimentos especiais.
Ainda pensei gritar-lhe que estava prestes a meter-se numa grande alhada, mas pareceu-me que não tinha intenção de me dar ouvidos e, por isso, desisti.
Quando regressei, ao fim do dia, uma penumbra invernosa sobre a sala e o senhor X, ainda na sua indumentária de cerimónia, permanecia em absoluto silêncio, como se estivesse ali há horas. Decidi não dizer nada e fui apanhando os vários objectos que havia transportado pela manhã e que jaziam agora, espalhados pelo chão.
Felizmente, a-fantástica-tarte-de-mirtilos-e-framboesas tinha sobrevivido ao que parecia ter sido uma catástrofe. Convenci-o de que era melhor comê-la quanto antes e fui buscar a garrafa de Periquita, que tinha guardado para uma ocasião especial.
Só ao terceiro copo, revelou que a vizinha fatal se mudara para outra cidade, outro qualquer quarto andar… Olhou para a sua magnífica obra de tricôt e perguntou-me o que haveria de fazer daquilo. Foi então, que o seu rosto pareceu iluminar-se… mas logo entristeceu e aconteceu o pior; atreveu-se a considerar que, a mim, não me serviria…
Com frequência, fica ausente e suspirante, escreve poemas e rimas manhosas no seu caderninho e, há dias, quando me preparava para provar a deliciosa tarte que encontrei no frigorífico, impediu-me, gritando que era para E-L-A.
Pensei que este E-L-A, arrebatador e sonante, significava um movimento importante, com reuniões clandestinas de chá e bolinhos, ou que então se tratava de uma qualquer divindade e que o senhor X se tornara um fanático religioso, mas, nunca, que a-fantástica-tarte-de-mirtilos-e-framboesas, que tinha sido cozinhada por si, se destinava, inteira, à vizinha do quarto andar.
Ainda não refeita desta cena, fui dar com o senhor X, muito concentrado, a tricotar o que parecia ser um vestido de lã vermelha. Perguntei-lhe se não estaria a exagerar, se não era um empreendimento de alto risco… E se as medidas não se ajustassem? É que nunca sabemos, de que ilusões de óptica não é capaz um pinga-amor!…
Na manhã seguinte, de saída para o trabalho, deparei-me com um senhor X muito apressado, galgando as escadas do prédio. Transportava uma caixa para bolos, um cabide com um vestido, um ramo de margaridas e o seu caderninho, no bolso do casaco dos acontecimentos especiais.
Ainda pensei gritar-lhe que estava prestes a meter-se numa grande alhada, mas pareceu-me que não tinha intenção de me dar ouvidos e, por isso, desisti.
Quando regressei, ao fim do dia, uma penumbra invernosa sobre a sala e o senhor X, ainda na sua indumentária de cerimónia, permanecia em absoluto silêncio, como se estivesse ali há horas. Decidi não dizer nada e fui apanhando os vários objectos que havia transportado pela manhã e que jaziam agora, espalhados pelo chão.
Felizmente, a-fantástica-tarte-de-mirtilos-e-framboesas tinha sobrevivido ao que parecia ter sido uma catástrofe. Convenci-o de que era melhor comê-la quanto antes e fui buscar a garrafa de Periquita, que tinha guardado para uma ocasião especial.
Só ao terceiro copo, revelou que a vizinha fatal se mudara para outra cidade, outro qualquer quarto andar… Olhou para a sua magnífica obra de tricôt e perguntou-me o que haveria de fazer daquilo. Foi então, que o seu rosto pareceu iluminar-se… mas logo entristeceu e aconteceu o pior; atreveu-se a considerar que, a mim, não me serviria…
24.10.08
NOCTURNO COIMBRINHA
Colocaram-lhe umas orelhas de burro e bebeu, bebeu, voltou a beber, bebeu, hic, bebeu outro copo, mais outro, outro ainda e decidiiiiiiuuu, hic, que, quando fosse engenheiro, construiria um equipamento urbano para salvar as esquinas da cidade, dos estudantes apertados.
Nunca foi engenheiro, mas registou a patente.
Colocaram-lhe umas orelhas de burro e bebeu, bebeu, voltou a beber, bebeu, hic, bebeu outro copo, mais outro, outro ainda e decidiiiiiiuuu, hic, que, quando fosse engenheiro, construiria um equipamento urbano para salvar as esquinas da cidade, dos estudantes apertados.
Nunca foi engenheiro, mas registou a patente.
19.10.08
14.10.08
Já nos tínhamos apercebido de que esta coisa da economia é uma espécie de crença numa coisa tentacular, com ciclos e setas "up and down", algo que escapa ao entendimento do comum mortal e que se baseia em movimentos rápidos e circulares de tira dali, para investir além.
Quando ouvimos falar de vinte milhões de euros, corrijo; vinte MIL milhões de euros, que não sabemos de ondem provêm, para estimular o sector, imaginamos que haja um "dali" sem existência, calculado a partir de uns impostos que ainda teremos de pagar.
Quando ouvimos falar de vinte milhões de euros, corrijo; vinte MIL milhões de euros, que não sabemos de ondem provêm, para estimular o sector, imaginamos que haja um "dali" sem existência, calculado a partir de uns impostos que ainda teremos de pagar.
13.10.08
12.10.08
11.10.08
O senhor X, mal o Inverno se insinua na paisagem, entrega-se à nobre tarefa de tricotar camisolas.
Sentado no seu velho sofá vermelho, passa os serões a fazer malha com lãs coloridas, enquanto vai desfiando pensamentos variados, ao som da actualidade televisiva.
São camisolas com motivos antiquados, de quadrados e riscas que, depois, distribui pelos amigos. É claro, que ninguém se atreve a recusar, com a desculpa de que aquela peça não é compatível com o restante guarda-roupa. Uma vez por outra, os amigos do senhor X saem à rua, vestidos de arco-íris… Talvez os seus pensamentos se possam ler, por entre os pontos de liga e meia.
Sentado no seu velho sofá vermelho, passa os serões a fazer malha com lãs coloridas, enquanto vai desfiando pensamentos variados, ao som da actualidade televisiva.
São camisolas com motivos antiquados, de quadrados e riscas que, depois, distribui pelos amigos. É claro, que ninguém se atreve a recusar, com a desculpa de que aquela peça não é compatível com o restante guarda-roupa. Uma vez por outra, os amigos do senhor X saem à rua, vestidos de arco-íris… Talvez os seus pensamentos se possam ler, por entre os pontos de liga e meia.
7.10.08
2.10.08

Como se já não bastasse a "ruptura macro económica", eis que o meu sítio foi repentinamente acometido de uma qualquer febre verde. Todas as imagens que tento hoje utilizar são filtradas de um verde ranhoca limonete muuuuito estranho. Logo agora, que tinha umas imagens do Teatro da Cerca para partilhar.
Será uma manifestação de uma "força de bloqueio" sportinguista, verdes(ista)? Um marciano invejoso? Um castigo, por ter feito a apologia do azul absoluto? Estranho mistério, este! Irritante mistério, este. A mim, que nem sou de futebois! Quero o meu blogue de volta.
18.9.08
TNT não estreia hoje. Vai estrear, em breve, num teatro há muito ansiado, no coração da cidade, no Teatro da Cerca.
Hoje, são assinados os protocolos que permitem a instalação d'A Escola da Noite no Teatro da Cerca de São Bernardo.
Hurra, gritou o senhor X. e tirou o casaco, da naftalina, o casaco dos dias especiais.
Hoje, são assinados os protocolos que permitem a instalação d'A Escola da Noite no Teatro da Cerca de São Bernardo.
Hurra, gritou o senhor X. e tirou o casaco, da naftalina, o casaco dos dias especiais.
17.9.08
O senhor X. não gostava de ratos. Talvez porque fossem cinzentos, tivessem olhinhos de alfinete, pêlo de escovinha, ou por causa da sua cauda fininha. Sentia calafrios quando pensava em ratos, quando pensava na possibilidade de se poder cruzar com um qualquer representante da espécie. Fazia sempre a cena da Beatriz Costa, dava um gritinho, saltava para cima da mesa e subia as calças acima dos tornozelos o que lhe conferia uma imagem oposta ao seu costumeiro sério. Tinha pesadelos com ratos e achava que poderiam ser verdadeiramente tumultuosos na vida das pessoas…
16.9.08

…Que mixórdia! e que canalha eu sou quando deparo para o fundo de mim mesmo!… Mas não me julguem infeliz. Não sou infeliz. Devo confessar que depois que sou desgraçado é que me sinto mais feliz. Encontrei-me. Não tenham pena de mim. Sou o Teles que toda a gente conhece — e sou rei…
"O Rei Imaginário", Raul Brandão
14.9.08
O senhor X. andava perplexo com o mega empreendimento da ciência; reproduzir, em laboratório, um "verdadeiro" Big Bang. Não compreendia a necessidade de se gastarem milhões num artifício se, todos os dias, algures no planeta, havia umas quantas manifestações avassaladoras. Ele próprio, na sua vida, já tinha conseguido alguns Big Bang(s).
13.9.08
11.9.08
10.9.08
8.9.08
É claro, que a figura do senhorio é já uma imagem arqueológica, substituida pelo pagamento automático do empréstimo bancário. Confesso que sou uma conservadora, por isso, oito é o dia de ir pagar a renda, com todo o cerimonial implícito, que termina na gavetinha onde se arrumam os recibos.
Oito, é também, o dia fatal na economia do lar. O dia em que a minha conta emagrece drasticamente e posso, enfim, dar largas à imaginação contabilística.
Oito, é também, o dia fatal na economia do lar. O dia em que a minha conta emagrece drasticamente e posso, enfim, dar largas à imaginação contabilística.
7.9.08
5.9.08
4.9.08
2.9.08
22.8.08
21.8.08
19.8.08
18.8.08
Os meus dias de praia foram quase sempre cinzentos. Agora, que dei início à deprimente "rentrée", já lhes sinto a falta. Maaaaaaaaaarrrrrr! Azul, verde, ou mesmo cinzento...
As pessoas que vivem no interior, deviam pagar menos impostos, era, assim, uma espécie de compensação por índice de claustrofobia.
16.8.08
Informamos que o nadador norte americano Michael Phelps é, afinal, um cyberborg, com um sistema mecânico complexo e avançado que produz um ruído de braçada; boop, boop, boop, que desconcentra os restantes nadadores.
Desconfiamos que o atleta jamaicano Usain Bolt possua igualmente estas características, no entanto, produz um ruído diferente; beep, beep, beep.
Continuaremos atentos.
Desconfiamos que o atleta jamaicano Usain Bolt possua igualmente estas características, no entanto, produz um ruído diferente; beep, beep, beep.
Continuaremos atentos.
Hoje voltou a ser um dia triste para o desporto português. Francis Obikwelu não conseguiu ser apurado para a final dos cem metros e anunciou que terminava a sua carreira, pedindo desculpa aos portugueses.
Por que raio temos de fazer sentir aos desportistas de alta competição que, quando não são ganhadores, têm de pedir desculpa?
Portugal, sim, devia fazê-lo, por não ter uma estratégia, forte, de apoio ao desporto que não é futebol.
Por que raio temos de fazer sentir aos desportistas de alta competição que, quando não são ganhadores, têm de pedir desculpa?
Portugal, sim, devia fazê-lo, por não ter uma estratégia, forte, de apoio ao desporto que não é futebol.
15.8.08
14.8.08
A Tica decidiu, determinada, acordar-me todas as manhãs, pontualmente, ás nove horas. Uma pata insistente no rosto, uma vez, duas, três e lá me levanto. Não é fome, porque ainda tem comida. Uns mimos, umas brincadeiras e, com toda a sua lata de gata, vai dormir o resto da manhã, na minha cama. Ás vezes, rendo-me e sigo o seu improdutivo conselho e lá vou... até ao meio dia. O ócio em deprimente contagem decrescente.
12.8.08
O senhor Silva, mestre do suspense, decretou o fim da navegação aérea nos céus do seu sítio de férias. Encontrei agora um passarito muito incomodado com o transtorno do desvio a que foi obrigado. Sugeriu que mandássemos o senhor Silva para o Cáucaso... para outros destinos, onde as suas determinações pudessem ter um efeito pacificador.
11.8.08
1.8.08
30.7.08
PLATÓNOV de Anton Tchékhov
Teatro de São João
encenação de Nuno Cardoso
Um espectáculo de quatro horas que prova, definitivamente, que esta peça, considerada irrepresentável, é importante no universo de escrita de Tchékhov e pode suscitar extraordinárias soluções de construção, visto que é também uma peça exigente.
Tem um movimento frenético de acções e emoções e uma personagem central, Platónov, capaz de uma deriva constante entre crueldade e fragilidade, que exige, de um actor, muita transfiguração.
Para mim, que sempre gostei de estações de comboio e da eminente possibilidade de outra vida que sempre convocam, a solução das linhas de caminho de ferro, que domina todo o espaço, constitui uma das marcas sensíveis do espectáculo. Tem outras; um corpo aprisionado, perdido, no meio de cena, e Platónov, eufórico e temeroso, escondido na sua secretária de mestre-escola.
Teatro de São João
encenação de Nuno Cardoso
Um espectáculo de quatro horas que prova, definitivamente, que esta peça, considerada irrepresentável, é importante no universo de escrita de Tchékhov e pode suscitar extraordinárias soluções de construção, visto que é também uma peça exigente.
Tem um movimento frenético de acções e emoções e uma personagem central, Platónov, capaz de uma deriva constante entre crueldade e fragilidade, que exige, de um actor, muita transfiguração.
Para mim, que sempre gostei de estações de comboio e da eminente possibilidade de outra vida que sempre convocam, a solução das linhas de caminho de ferro, que domina todo o espaço, constitui uma das marcas sensíveis do espectáculo. Tem outras; um corpo aprisionado, perdido, no meio de cena, e Platónov, eufórico e temeroso, escondido na sua secretária de mestre-escola.

Após longos meses de penúria ofereço(-me) uma viagem que inclui espectáculo de teatro, alojamento e jantar simpático. O Porto, num abrir e fechar de olhos!
O meu quarto de pensão barata tem o charme especial dos sítios com mobiliário antigo. Abro a varanda e sente-se o pulsar nocturno da cidade. Mesmo no quarto andar, é um som forte, de vida a acontecer. Com as suas ruas sinuosas e casas de pedra escura, é uma cidade protectora, um esquisso de telhados, brumas e gaivotas estridentes.
Na manhã seguinte, antes do regresso a Coimbra, tempo para conhecer um café com mesas verdadeiras e tranquilos leitores de jornal e descobrir, por acaso, a Rua Cândido dos Reis, a Cooperativa Cultural Gesto e um armazém de tecidos. A cidade cosmopolita, da "cultura urbana emergente", paredes meias com o Porto gracejador marialva.
A caminho da estação, testo a minha capacidade de orientação no metro. Alguma nabice, facilmente solucionada com ajuda alheia e um "num tem de quê menina". Se me chamam "menina", tem de ser uma cidade amiga!
Penso em como o metro devolveu, ao Porto, alguma qualidade de vida, facilitando a deslocação das pessoas num circuito urbano extenso, reduzindo a circulação automóvel e em como as resistências de Coimbra ao metropolitano de superfície, não fazem sentido.
Escrevo, numa espécie de gíria economicista; o Porto é uma cidade "com enorme potencial". Carregada de história, tem uma arquitectura diversa e fulgurante, tem um rio enorme e simpático, o mar ali à porta, instituições e equipamentos importantes como Serralves, a Casa da Música, o Teatro de São João, o "Glorioso" e não consegue ter um poder local dialogante e imaginativo, comprometido com as necessidades das pessoas. Felizmente, essas pessoas vão dando sinal de conseguirem organizar-se em movimentos cívicos, que poderiam constituir exemplo reivindicativo para outras cidades.
22.7.08

PINK miúda LOOKING INSIDE
Por dentro do ser, há muito ser, profundo, com muitas formas e cores.
Há arco íris verdadeiros. Há castelos de gelado com natas. Um gato, chamado Estrela, a brincar ás escondidas. Um rato de estimação, dentro do gato Estrela. Experiências de verdadeiros cientistas loucos (com luvas). Pratos de sopa vazios. Palavras que nunca acabam, para as histórias da avó. Um vento maluquinho. Peixes prateados. E um rio pequenino, de apanhar seixos com o meu irmão.
19.7.08
18.7.08

Vamos ver as montras! A expressão parece antiquada.
Não é por termos banido esse acto diletante, meio aburguesado, dos nossos quotidianos frenéticos, é mais porque gostamos de ruas com ar condicionado e passarinhos em colunas de som.
Vamos ver as montras?! …Ou vamos ver-nos nas montras?
De qualquer forma, as montras estão cheias de papel de jornal, com letreiros "vende-se", ou "trespassa-se".
15.7.08
Pensávamos nós que um ministro em silêncio é um homem reunido com os seus secretários a conhecer a matéria das suas preocupações, a planificar, a estabelecer consensos, a definir estratégias…
O Ministro da Cultura que, finalmente, se deu a conhecer ao país, em dois "lençois" do caderno principal do Expresso, revelou-nos que a cultura vai continuar no mesmíssimo grau zero dos interesses nacionais.
Uma linha de crédito para aquisição de obras de arte(?), outra linha de crédito para os artistas complementarem a sua formação (?), uma plataforma informática 3D para divulgar os museus nacionais (?), grandes empresas mecenas (?), criar (mais?) cursos na área das artes (?), fazer mais com menos (????)…
Ainda bem que decidiu reabilitar o Palácio da Ajuda, pois quer parecer-nos que não é um sítio inspirador.
O Ministro da Cultura que, finalmente, se deu a conhecer ao país, em dois "lençois" do caderno principal do Expresso, revelou-nos que a cultura vai continuar no mesmíssimo grau zero dos interesses nacionais.
Uma linha de crédito para aquisição de obras de arte(?), outra linha de crédito para os artistas complementarem a sua formação (?), uma plataforma informática 3D para divulgar os museus nacionais (?), grandes empresas mecenas (?), criar (mais?) cursos na área das artes (?), fazer mais com menos (????)…
Ainda bem que decidiu reabilitar o Palácio da Ajuda, pois quer parecer-nos que não é um sítio inspirador.
11.7.08
O excelentíssimo senhor Presidente da Câmara, o Comité da Passadeira Vermelha e do Fogo de Artifício e os digníssimos orgãos de comunicação social de Coimbra inauguraram, ontem, com a benção da Rainha Santa, uma rotunda de escala mediana, com um pequeno arbusto central, cabisbaixo e surpreendido com a solenidade.
Pensamos que se trata de uma extraordinária e inovadora obra de engenharia e talvez prefigure uma especial tendência da cidade para seguir em círculo. Aguardamos pois, com ansiedade, a candidatura a Cidade Universal das Coisas Medianas e Redondas.
nota: o arbusto foi o único que não sorriu para a fotografia!
Pensamos que se trata de uma extraordinária e inovadora obra de engenharia e talvez prefigure uma especial tendência da cidade para seguir em círculo. Aguardamos pois, com ansiedade, a candidatura a Cidade Universal das Coisas Medianas e Redondas.
nota: o arbusto foi o único que não sorriu para a fotografia!
7.7.08
Temos de, ou temos que? (ir!)

A companhia alemã BERLINER ENSEMBLE, apresentará a sua mais recente produção, "Peer Gynt", de Ibsen, com direcção de Peter Zadek, 12 e 13 de Julho na sala principal do Teatro Municipal de Almada.
LOU REED interpreta o álbum «Berlin» em dois concertos em Portugal, no dia 19 Julho no Campo Pequeno, em Lisboa, e no dia 20 em Loulé. O ex-Velvet Underground contará em palco com cerca de trinta pessoas, entre as quais o New London Childrens Choir e o director musical Bob Ezrin, o produtor original de «Berlin».

A companhia alemã BERLINER ENSEMBLE, apresentará a sua mais recente produção, "Peer Gynt", de Ibsen, com direcção de Peter Zadek, 12 e 13 de Julho na sala principal do Teatro Municipal de Almada.
LOU REED interpreta o álbum «Berlin» em dois concertos em Portugal, no dia 19 Julho no Campo Pequeno, em Lisboa, e no dia 20 em Loulé. O ex-Velvet Underground contará em palco com cerca de trinta pessoas, entre as quais o New London Childrens Choir e o director musical Bob Ezrin, o produtor original de «Berlin».
5.7.08
4.7.08
Estudo cromático para um AZUL IMPOSSÍVEL
Tudo isto feito de pó, e sempre duas tintas predominando, a do mar azul e a do céu azul, uma esverdeada como uma solução de sulfato, a outra infinita e etérea.
Azul, azul vivo, azul que a luz trespassa e estremece, azul que não tem limites.
… o azul vivo, o azul esplêndido.
Os Pescadores (excertos)
Raul Brandão
Tudo isto feito de pó, e sempre duas tintas predominando, a do mar azul e a do céu azul, uma esverdeada como uma solução de sulfato, a outra infinita e etérea.
Azul, azul vivo, azul que a luz trespassa e estremece, azul que não tem limites.
… o azul vivo, o azul esplêndido.
Os Pescadores (excertos)
Raul Brandão
3.7.08
1.7.08
28.6.08

Uma árvore, um banco e o vento de feição; tudo o que é preciso para se contar uma história…
Era uma vez… duas… três… e quatro… o mesmo macaco chinês, o gato que toca piano e a sereia que fala francês… o rato do panelão, a carocha da janelinha, o príncipe-sapo cortês e a Conceição… do capuz vermelho, das sandes de salpicão e do lobo… Era uma vez… duas… três…
Era… verão!…
26.6.08

Uma imagem da superfície do planeta Marte, captada pela sonda Phoenix, como se fosse uma realidade ao nosso alcance imediato.
A minha avó, que morreu sem acreditar que o homem tivesse ido à lua, dizia que as imagens sobre as várias explorações lunares, que via na televisão, eram simples histórias e truques. "E, vocês santinhas (como quem diz ingénuas), acreditam em tudo!".
25.6.08
24.6.08
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