13.6.08

FERNANDO PESSOA, o poeta "brincalhão" das muitas máscaras nasceu há 120 anos.


1[Alberto Caeiro] A Espantosa Realidade das Cousas

A espantosa realidade das cousas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada cousa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.
Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,
E todos os meus poemas são diferentes,
Porque cada cousa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.
Não me ponho a pensar se ela sente.
Não me perco a chamar-lhe minha irmã.
Mas gosto dela por ela ser uma pedra,
Gosto dela porque ela não sente nada.
Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes oiço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;
Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,
Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;
Porque o penso sem pensamentos
Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,
E eu admirei-me, porque não julgava
Que se me pudesse chamar qualquer cousa.
Eu nem sequer sou poeta: vejo.
Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:
O valor está ali, nos meus versos.
Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.


2 [Álvaro de Campos] Grandes são os Desertos…

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.

















Para celebrar os 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, a Casa Fernando Pessoa e a Câmara Municipal de Lisboa decidiram lançar um desafio à editora Loop:Recordings e marcar um encontro entre os escritos do poeta e algumas das mais aplaudidas vozes do movimento Hip Hop nacional. Melo D, Maze e Fuse dos Dealema, Raptor, Rocky Marsiano, Rodrigo Amado, Sagas, Dj Ride, T-One, D_Fine e Viriato Ventura (pai de Sam The Kid) serão os artistas que marcarão presença no palco montado no Terreiro do Paço. As actividades começarão às 18 horas, com DJs da Loop (Rui Miguel Abreu, José Belo, D-Mars, DJ Ride) a darem música à cidade enquanto painéis alusivos à iconografia pessoana serão pintados por Nomen, um dos mais reputados writers de graff nacionais. Às 22 horas começará o concerto propriamente dito. Entretanto, estão a ser dados os retoques finais num álbum de homenagem a Fernando Pessoa que a Loop:Recordings deverá editar em Setembro.












Ilustrações de Richard Câmara para ver na Casa Fernando Pessoa, entre 5 de Junho e 29 de Agosto.
Gostei muito da viagem de circum-navegação "Turismo Infinito" de Ricardo Pais sobre a obra de Pessoa.

12.6.08



















Encontrei o gato lá de casa, assanhado, no seu canto. Disse-me que estava furioso em estado contínuo e que nem os golos do Deco, do Ronaldo e do Quaresma o tinham ajudado. Pediu-me uma latinha daquelas que eu sabia… talvez assim…

10.6.08

O nosso Presidente decidiu sublinhar que hoje é o Dia da Raça.
Eu e muitos outros portugueses decidimos sublinhar o oposto; comemorar a cultura e a língua, que definem o nosso contexto e nos estruturam.

9.6.08

Este blogue que tem praticado a bonomia, hoje, eriçou-se! Paredes meias com o teatro onde trabalho, decidiram construir uma feira!
Gosto de feiras. Gosto de algodão doce, de balões, de farturas e de carrinhos de choque, mas não me parece boa ideia uma feira colada a um espaço onde é suposto apresentar espectáculos em boas condições acústicas…
Também não me parece boa ideia que os feirantes tenham que sair do simpático largo da Igreja dos Olivais, para virem montar o seu negócio no antigo parque de estacionamento da ECOVIA, que é um espaço árido, insuportável em dias de sol e calor.
E agora, integramos o Mickael Carreira e a Shakira na banda sonora do espectáculo?

3.6.08

…é verdade que se um homem misturar absinto com a realidade fica com uma realidade melhor.
… mas também é certo que se um homem misturar absinto com a realidade fica com um absinto pior.
… muito cedo tomei as opções essenciais que há a tomar na vida — disse o senhor Henri.
… nunca misturei o absinto com a realidade para não piorar a qualidade do absinto.

Gonçalo M. Tavares, O Senhor Henri, Caminho

1.6.08

Vamos lá imaginar a cidade do penteaaaaaado
onde as casas
p'ra variar
têm cabelo e não telhaaaaaado!

best of do José Barata Moura (excerto)
"devidamente" cantado à minha sobrinha

31.5.08





























Com a realidade que temos à mão, podemos sempre construir outros cenários!
Há muito que recortei esta imagem, da qual desconheço o fotógrafo. Corresponde a um momento real da guerra nos Balcãs.

29.5.08









CIRCOLANDO Casa-Abrigo
Até 31 de Maio, no Mosteiro de São Bento da Vitória, no Porto, com direcção de André Braga e Cláudia Figueiredo.

Seis velhas que desvendam o segredo da vitalidade, num encantatório caminho pelos lugares das insignificâncias que produzem as grandezas da nossa imaginação. Como um novelo que se enrola sempre… e sempre… e sempre… e sempre…
Um espectáculo feito de sal e de lã.

24.5.08


















Quando o sábado se faz cinzento, a solução é descer à Baixa, percorrer as ruas demoradamente e deixar-se vencer pelo turbilhão da azáfama alheia. Podemos comprar uns disparates, ou invejar a capacidade gastadora compulsiva dos outros ou, simplesmente, sentar num café simpático, na companhia do mais enjoativo bolo de chocolate e natas que se encontre.
Hoje não havia turbilhão e as casas, onde não mora ninguém, pareceram-me assustadoras, como pedaços sem alma na cidade. O bolo de chocolate que me serviram não tinha açucar e as natas eram light!

23.5.08

1 infância





















fotógrafo desconhecido, Ohio Canal, 1915

2 sem infância






















© Lewis Wickes Hine, selling papers, 1910

20.5.08
























Birmanesa, líder da oposição ao regime ditatorial do país e activista dos direitos humanos.
Nasceu em 1945, em Rangum, filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia que foi assassinado quando Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.
Depois de ter vivido em Londres, regressou ao seu país em 1988, por altura da morte da mãe. O seu retorno à Birmânia coincidiu com a eclosão de uma revolta popular espontânea contra vinte e seis anos de repressão política e de declínio económico no país. Em pouco tempo, Suu Kyi tornou-se a líder do movimento de contestação ao regime militar.
Nesse ano de 1988, morreram dez mil pessoas em consequência das medidas de repressão adoptadas pelo regime. Após o seu partido (a Liga Nacional para a Democracia) ter obtido uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, Suu Kyi viu-se remetida a prisão domiciliária pela junta militar que governa. A Birmânia continuou a ser dirigida pelo general Ne Win num regime ditatorial, mas a luta pela democracia ganhava crescente visibilidade e apoio internacional. [!!!!??]
Em 1990, Aung San Suu Kyi ganhou o prémio Sakharov de liberdade de pensamento, e em 1991 foi galardoada com o Prémio Nobel da Paz.

Wikipédia

19.5.08

Visconti
























Por coincidência, no mesmo dia em que o turbo caneta fez referência a Veneza, o canal estatal de televisão passou o fantástico filme, "Morte em Veneza", de Luchino Visconti.
"O Leopardo", do mesmo autor, é um dos meus filmes preferidos. Lembra-me "O Cerejal" de Anton Tchékhov que é, por sua vez, uma das peças de teatro de que mais gosto.
Há um delicado fio narrativo que habilmente se vai desenvolvendo, uma mesma ideia sobre o tempo, o amor e a morte, que se abatem de forma lenta e inexorável sobre o quotidiano das pessoas e sobre os lugares.
E os lugares são não-lugares e as personagens vagas.
A cena final de "Morte em Veneza", tal como a morte de Firs em "O Cerejal" são dilacerantes.

18.5.08





























fotografia do 1ºde Maio de 1974 em Portugal

Podiamos aproveitar a maré de nostalgia do Maio de 68, provocar a história e renovar a(s) democracia(s). Há uns tantos políticos/patrões/empresários/chefes prepotentes para meter na linha, uns quantos maridos e pais que mereciam ver uns soutiens queimados, há umas guerras e umas ditaduras que podiam acabar…
Mas há-de ser difícil erguer o rabo burguês e sair do gabinete com ar condicionado, para voltar a encher as ruas com palavras de ordem!

17.5.08




















Há cidades que ficam na nossa memória como lugares ficção. É o caso de Veneza, aqui retocada com um azul poético e nostálgico.
Esta fotografia antiga, que encontrei no sotão, em casa da minha mãe, lembra-me uma viagem em família em que o meu pai me convenceu que podia visitar a Bienal de Veneza numa manhã. O meu pai era um homem silencioso e inquieto e é por causa dele que gosto tanto desta cidade azul, que não existe.

16.5.08

1





















contribuição gráfica para um escrito anónimo no turbocaneta
[para ler no sentido descendente]

2





















voo

3





















esgravato (de gravata e sapato)

4





















voo por entre raízes calhaus

5





















toupeira dos ares

6






















esgravato, escavo
escaravelho alado
que não sabe o céu

14.5.08


















ASSARAPANTADO Espantado! Ou apanhado? Espoliado!… Assado!

13.5.08






















Ginkgo Biloba pertence à família das Ginkgoáceas e é um fóssil vivo, data de há mais de 200 milhões de anos. É uma árvore originária do sul da China que pode atingir cerca de 30 metros, as suas folhas são verdes e brilhantes, em forma de leque e é considerada sagrada no Extremo Oriente. O seu uso para fins medicinais é o mais antigo que se conhece e data de 2800a.C.. Os chineses durante milhares de anos, utilizaram o seu fruto para combater problemas respiratórios e auditivos.
Em 1945, quando explodiu a bomba atómica em Hiroxima, o Ginkgo foi a única árvore em que brotaram novas folhas na primavera seguinte. Resiste à poluição, a pragas de insectos e a vírus e pode durar mais de mil anos. Não floresce e as árvores de pés femininos dão "frutos" semelhantes a abrunhos. (…)

Ana Margarida Calvário
Faculdade de Ciências e Tecnologia/UNL

12.5.08





















ESTRELAR
v. tr. recamar de estrelas; matizar; frigir (ovos) sem os bater / v. intr. refulgir; cintilar / adj. 2 gén. sideral [do latin stellare, "cobrir de estrelas"]

7.5.08

Eu tinha oito anos e sentei-me na mesa de trabalho de A. que devia andar pelos dezassete anos e era um aluno sucedido no seu sétimo ano de liceu. Os livros estavam empilhados e ordenados, com as lombadas viradas para o mesmo lado, as canetas perfiladas por cores e os lápis organizados por tamanhos, todos com a ponta de grafite devidamente afiada e voltada para cima. As borrachas estavam limpas e aprumadas e as folhas brancas colocadas no centro, ao alcance da mão.
É claro que não me atrevi a mexer em nada e fui para outro canto com o meu amuo.
Anos mais tarde, foi meu professor. Passado o embaraço inicial, lá conseguimos entender-nos numa relação familiar a fingir alguma distância. Para além de inteligente e metódico, tinha um humor particular que cativava os alunos mas eu mantinha a memória daquela mesa em segredo, como se prefigurasse algo estranho.
É claro que é um ser fantástico, cumpridor zeloso e eu vou nos meus quarenta e dois anos de vida desarrumada.

5.5.08





















Hands farmer, Russell Lee, 1937



















Unemployed, Russell Lee, winter of 1935/1936, New York




















Unemployed, Russell Lee, winter of 1935/1936, New York

Russell Lee (1903-1986) first came to national prominence in the 1930's, when he worked as a photographer for the Farm Security Administration. His reputation as a photographer rests on his ability to accurately and empathetically portray the daily lives, troubles, and joys of ordinary people. In addition to his work for government agencies, Lee is known as an industrial photographer, magazine illustrator and photojournalism teacher, retiring in 1973 from the Fine Arts faculty at the University of Texas.

Russell Lee was born on July 21, 1903, in Ottawa, Illinois. Russell Werner Lee experienced a childhood marked with instability and unsettling events: his parents' divorce, the death of his mother, and subsequent supervision by a number of legal guardians which included his grandparents and his great uncle. During the fall of 1917, Lee enrolled in Culver Military Academy in Indiana, where he spent the next four years, until his graduation in 1921. Lee then attended Lehigh University in Pennsylvania from 1921 to 1925 and earned a degree in chemical engineering. He returned to Illinois and accepted a position making composition roofing for Certainteed Products Company in Marseilles. In 1927 he married Doris Emrick; the following year, he was promoted to plant manager and was transferred to Kansas City. By 1929, he became exceedingly restless and bored with his career; he resigned and in September of that year the Lees moved to San Francisco where he pursued painting. A little over a year later, upon the suggestion of a friend, they relocated to an artist's community in Woodstock, New York.

After several years of frustration, painting portraits and landscapes in Woodstock, Lee purchased his first camera, a 35mm Contax, in 1935 to aid him in his painting and draftsmanship. He photographed his surroundings in Woodstock, venturing out to auctions to document the realities of the Depression as people were forced to sell their household goods. He also traveled to New York City in the winter of 1935-1936 and photographed urban scenes, as well as the effects of the Depression there: unemployment, hunger and despair. In the spring of 1936 he traveled to Pennsylvania and photographed the bootleg coal mines.

In the fall of 1936, Lee joined the photographic staff of the Resettlement Administration (RA), which was renamed the Farm Security Administration (FSA) in 1937. Both the RA and the FSA were New Deal programs created to assist poor and destitute farmers during the Dust Bowl and the Great Depression. He worked directly under the creative supervision of Roy Stryker, the head of the Historical Section and the director of photographic projects. The Historical Section's purpose and function was to publicize and gain national support for the FSA, through the dissemination of photographs illustrating the plight of tenant farmers, sharecroppers, and migrant workers. Stryker's documentary team created 77,000 still photographs from 1935 until 1942; many of these were published in a variety of newspapers, books and magazines. His graphic designers and editors produced posters and exhibitions of these photographs that toured cities around the United States, educating mostly urban Americans about the country's rural problems.

During his tenure with the FSA, Russell Lee crisscrossed the United States, documenting rural and urban communities. He specialized in photographic series; his two most famous series from this time are his photographs of San Augustine, Texas in 1939, and Pie Town, New Mexico in 1940. It was also during this time working for the FSA that the marriage between Russell and Doris Lee ended; they divorced in 1939. On assignment in New Orleans that same year, he met Jean Smith, a Dallas journalist. The two began working together and eventually married. Jean Lee quickly became a key factor in the success of Russell Lee's photographs.

In 1942, shortly after the bombing of Pearl Harbor, and the United States' entry into World War II, Russell Lee left the FSA/OWI and joined the Overseas Technical Unit of the Air Transport Command (ATC), where he received a captain's commission. The Overseas Technical Unit was created to photograph the routes and airfields flown by the ATC. Frequently, American pilots flew into airspace completely unfamiliar to them, often while maintaining radio silence. Pilots and crew alike experienced difficulty in remembering details of long briefings prior to flight, so a unit of professional photographers was assembled to provide these pilots and their crew with images to aid in their meticulous briefings. A B-24 bomber specially modified for aerial photography was assigned to the new unit; the nose of the plane was removed and replaced with high-grade glass to minimize any distortion of the film being shot through it. These modifications enabled the OUT to photograph airfields and landscapes as the pilots would see them.

A year after leaving the Air Transport Command at the end of World War II, Lee came out of semi-retirement to accept an assignment from the Department of the Interior. This assignment came about as a result of worsening conditions in many mines and mining camps during the War and shortly thereafter. In 1946 the Department of the Interior and the United Mine Workers conducted a joint survey of medical, health and Mines Administration. At the time of the survey the coal industry was under government control, having been placed there by President Harry S. Truman in order to end a 59-day strike by the United Mine Workers of America. As part of the unique agreement between the government and the union, the survey was undertaken to document the working and living conditions then prevalent in the industry.

Under the direction of Rear Admiral Joel T. Boone, the survey teams journeyed to mining areas to collect data and photograph the conditions of mines and camps. Lee took the majority of the photographs in the survey, which document the many facets of each community: company stores and housing, mine interiors and exteriors, medical dispensaries, and everyday activities of residents. Lee made over 4000 images from August 1946 to February 1947 for the Coal Mines Administration; these negatives are now in the National Archives. About 225 photographs were used to illustrate the final report of the survey team by the Department of the Interior when, in 1947, it published A Medical Survey of the Bituminous Coal Industry, and a smaller supplement entitled The Coal Miner and His Family. One print was later selected for the Museum of Modern Art's Family of Man exhibition.

Following his assignment with the Coal Mines Administration, Russell and Jean Lee moved to Austin, Texas in 1947. That same year, Lee and Roy Stryker were professionally reunited, as Lee accepted a number of assignments from Stryker, who was then directing documentary projects for Standard Oil New Jersey (SONJ). Lee continued his industrial photography through the 1950s, working for a variety of companies, including the Arabian-American Oil Company (Aramco), and Jones and Laughlin Steel. In 1960, Russell Lee accepted an assignment from the University of Texas at Austin to shoot a portfolio of photographs for a special issue of Texas Quarterly on Italy. Lee spent two and a half months in Italy and shot some 4000 photographs.

In the years following World War II, until the mid-1960s, Russell Lee photographed extensively in his new home state of Texas. Concurrent with his work for Standard Oil and J& L Steel, he contributed to magazines such as Fortune, and The New York Times Magazine, and was an associate staff member of Magnum. His work also appeared frequently in The Texas Observer. The majority of assignments Russell Lee accepted were socially oriented. In 1950, Lee worked in conjunction with the University of Texas to document the living conditions and health-problems of Spanish-speaking people in Texas. In the mid-1950s, Lee documented conditions at several state mental institutions in Texas. The bulk of Russell Lee's postwar Texas photographs conclude around 1965, when, following his retrospective exhibition, he accepted a position teaching photography at the University of Texas; Lee was the University's first photography instructor. Although he was still somewhat photographically active after 1965, Lee's students, not his own work, became his focus until his retirement in 1973. Russell Lee died on August 28, 1986.

Information in this biographical sketch was derived from Southwest Texas State University's Wittliff Gallery of Southwestern and Mexican Photography

2.5.08




















South Side Deli, Russell Lee, 1941



















Reading room, Russel Lee, 1939




















Edgar's Daughter, Russel Lee, 1936




















Full House, Russel Lee, 1936

30.4.08




















A THING OF BEAUTY IS A JOY FOREVER [Keats]
There is no place like home
Russell Lee, Chicago, 1941

29.4.08





























PARANGOLÉ de Hélio Oiticica, 1972
uma escultura que se habita

28.4.08





















Não há uma receita para a criatividade e desenhar figurinos também não obedece a um conjunto rígido de regras, a não ser o respeito pelo trabalho em colectivo.
Cada espectáculo pressupõe um processo artístico especial e uma metodologia apropriada. Tratando-se de uma companhia de reportório, o texto é o ponto de partida. O processo inicia-se com algumas linhas dramatúrgicas que o encenador ou o núcleo de criativos responsáveis pelo espectáculo propõem.
Fazem-se segundas leituras do texto, direccionadas para aspectos concretos que se querem desenvolver e iniciamos uma pesquisa iconográfica, que corresponde a uma recolha de elementos visuais que funcionem como estímulo, que clarifiquem o texto, ou que esclareçam o tempo histórico da acção.
Os ensaios começam e, nesta primeira fase, há algum "trabalho de mesa" — análise aprofundada e discussão do texto, bem como o estabelecimento de alguns pressupostos que servirão como ponto de partida para o trabalho do actor.
Começamos a fazer os primeiros esboços, assistindo aos ensaios. É a experiência, desenvolvida pelos actores no espaço, que condiciona todo o trabalho e que vai testando e afinando as coordenadas estabelecidas para o espectáculo. Por isso, é fundamental discutir a própria concepção de figurinos, não só com o encenador, mas também com os actores, o cenógrafo e o desenhador de luz.
Antes de passar à fase da execução, é importante fazer um orçamento. Os recursos disponíveis são muito limitados, por isso, após uma fase inicial de grande liberdade, há que adequar o devaneio ao que se pode construir de facto.
Fazem-se fichas dos actores, com as suas medidas e algumas características relevantes para o trabalho, compram-se materiais e iniciam-se contactos com a costureira e o alfaiate aos quais temos de entregar também desenhos técnicos, que esclareçam pormenores.
O desenho inicial vai-se ajustando ao próprio jogo do actor e à relação com os outros signos do espectáculo. O figurino é um prolongamento do seu corpo, por isso deve ajudá-lo na sua prática, sem condicionalismos. É uma espécie de fato-objecto-casa, que pode ser manipulado e habitado.
Raramente a concepção é cumprida com rigor absoluto e um figurino chega a uma estreia tal como foi desenhado. Há sempre um longo processo de adaptabilidade ao corpo do actor e ao todo que é o espectáculo. É necessário convencer os actores a fazerem muitas provas e há sempre correcções a fazer, até que tudo se ajuste.
Também é necessário fazer cedências e deixar que um figurino seja menos imponente, ou menos belo, para poder ser mais eficaz no espectáculo. Neste jogo de múltiplas forças, a luz é um factor de equilíbrio determinante. Pode transfigurar, completamente, um figurino, dar-lhe força, ou ignorá-lo em absoluto.

27.4.08






























[…] árvores apagando os dias que a memória
ávidamente esconde […]

Árvores, excerto, Gastão Cruz

26.4.08

Construimos uma imagem demasiado romântica de uma revolução e talvez seja por isso que os jovens do nosso presidente não a levam muito a sério, nem percebem bem o que mudou, verdadeiramente.
As metáforas e as canções são tantas, que se dilui o horror da guerra colonial, o dos presos políticos, o do atraso cultural e vários outros horrores que construiam o cinzento quotidiano dos portugueses.
Confesso que a imagem do menino com o cravo vermelho irá sempre emocionar-me. Talvez, daqui a uns anos, me comporte como o meu avô que, pela vida fora, continuava a dar os seus "vivas" pela república, mas, para já, não façamos da revolução de Abril uma "pink light revolution".

Temos de, ou temos que? (ir)


MEREDITH MONK & VOCAL ENSEMBLE
Lisboa 26Abril
Torres Vedras 30Abril
Portalegre 1Maio)

LUIZ TATIT
Culturgest 7Maio

JOHN CALE Acoustimatic Band
Casa das Artes / Famalicão 16Maio
Centro de Artes do Espectáculo / Portalegre 17Maio

PINA BAUSCH (um festival entre o Centro Cultural de Belém e o Teatro Municipal São Luiz

Centro Cultural de Belém
Nefés
Uma peça de Pina Bausch - Companhia Tanztheater Wuppertal
Dias 2 e 3 de Maio às 21h30

Masurca Fogo
Uma peça de Pina Bausch - Tanztheater Wuppertal
Dias 7, 8 e 9 de Maio às 21h00

Teatro Municipal São Luiz

Café Müller
Uma peça de Pina Bausch - Companhia Tanztheater Wuppertal
Dias 4 e 5 de Maio às 21h00
Dias 8 e 9 de Maio às 18h00
Sala Principal

O Lamento da Imperatriz
Um filme de Pina Bausch, comentado por José Sasportes
Dia 4 de Maio às 22h00
Jardim de Inverno

Lissabon - Wuppertal - Lisboa
Um filme de Fernando Lopes, comentado por Fernando Lopes, Maria João Seixas e António Mega Ferreira
Dia 6 de Maio às 22h00
Jardim de Inverno

A Sagração da Primavera
Um filme de Pina Bausch, comentado por Olga Roriz e Rui Horta
Dia 7 de Maio às 22h00
Jardim de Inverno

Conversa com Dominique Mercy, Nazareth Panadero e Luísa Taveira
Dia 5 de Maio às 22h00
Jardim de Inverno

Peter Pabst - 28 Anos de Cenários para Pina
Dia 8 de Maio às 22h00
Jardim de Inverno

Pina Bausch e Pedro Almodóvar
(a confirmar)
Dia 9 de Maio às 24h00
Sala Principal

24.4.08












money makes the world
go around
the world go around
the world go around
money money money
money money money money

22.4.08








Ciclo de conversas no lançamento dos novos cursos de
DESIGN E MULTIMÉDIA da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra,
em Abril e Maio.

José António Bandeirinha, João Bicker, Nuno Porto > 24 Abril
Miguel Rios, Paulo Carvalho, António Olaio > 29 Abril
Nuno Coelho, Alice Geirinhas > 6 de Maio
Miguel Soares, Ernesto Costa > 13 de Maio
André Rangel, Pedro Pousada > 20 de Maio
Artur Rebelo, Lizá Ramalho, A. Dias Figueiredo > 27 de Maio
[…] Julgo que há uma característica inescapável, o facto de sermos uma geração do pós-25 de Abril. Sermos filhos dos fazedores da revolução e termos nascido em democracia e liberdade. Algo que os nossos pais têm dificuldade em perceber — como é que nós não valorizamos isso? Claro que há aqui um problema cultural e de memória histórica, mas também temos de compreender a cabeça das pessoas que nasceram no pós-25 de Abril. Quando comecei a escrever sobre esta "décalage" entre pais e filhos, pensei: como é que posso abordar isto literariamente? A história da literatura e do teatro está cheia de conflitos entre pais e filhos […] Apetecia-me escrever uma peça entre pais e filhos do meu tempo e, à medida que fui abordando o tema, comecei a perceber que não tinha conflito com os meus pais, como tiveram outras gerações. O pai, por definição é o inimigo, o alvo a abater […] uma referência em conflito, aquela que temos de substituir. Julgo que já não temos isso. Temos um pai que é um exemplo, porque fez a democracia. […] Há uma espécie de orfandade na minha geração. Parece que temos de partir do nada. […]

[…] Há uma coisa que os actores do teatro Praga costumam dizer: "Nós só fazemos teatro porque os nossos pais têm dinheiro." Eu também só pude escrever e arriscar isto porque "tinha as costas quentes"… Esta casa não é minha, não fui eu que a comprei. Nesse aspecto, somos privilegiados, e portanto não posso acusar os meus pais. Nitidamente a classe artística da minha geração vive à custa dos pais. Ou então vai fazer telenovelas. […]

José Maria Vieira Mendes, excertos de entrevista, Notícias Magazine, 13/4/08

21.4.08












Parabéns ao actor e encenador Luís Miguel Cintra, que venceu o Prémio da Latinidade, pelo seu "extraordinário contributo para a arte teatral em Portugal" e pela importante "acção de divulgação de grandes obras de autores clássicos e contemporâneos", experiências que considera indissociáveis da sua vivência em companhia, no Teatro da Cornucópia, que dirige, com Cristina Reis, e que fundou, em 1973, com Jorge Silva Melo.

17.4.08

A presença do público e o espectáculo ganha uma nova dinâmica.
É o fabuloso milagre das estreias!

10.4.08

Obrigatório ver ESTE PAÍS NÃO É PARA VELHOS de Joel e Ethan Coen, mesmo que tenhamos de fechar os olhos algumas vezes.
Tommy Lee Jones, Javier Bardem (sem o seu sorriso maravilhoso) e Josh Brolin em composições fantásticas.
Por um desvio semântico qualquer, que os filólogos ainda não estudaram, passámos a chamar manhã à infância das aves. De facto envelhecem quando a tarde cai e é por isso que ao anoitecer as árvores nos surgem tão carregadas de tempo.


Fruto, Carlos de Oliveira, in Sobre o Lado Esquerdo

6.4.08

















Bonecos & Farelos
A Escola da Noite
a partir de Quem Tem Farelos? de Gil Vicente
com encenação de António Jorge
estreia a 17 de Abril na Oficina Municipal do Teatro
"Ah", disse o rato, "o mundo cada dia fica mais apertado. A princípio era tão grande que até metia medo, depois continuei a andar e ao longe já se viam os muros à esquerda e à direita, e agora — e não passou assim tanto tempo desde que eu comecei a andar — estou no quarto que me foi destinado e naquele canto já está a armadilha em que vou cair." "Tens de inverter o sentido de marcha", disse o gato, e comeu-o.

Pequena Fábula, Franz Kafka, in Parábolas e Fragmentos
tradução de João Barrento

5.4.08
























"Preto! Branco! Cinzento, às vezes…"


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